terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Inauguração do Novo Órgão do Instituto de Santo António dos Portugueses | Fotos



Neste blog foram dedicados dois artigos ao novo órgão do Instituto de Santo António. Quando foram escritos não havia nenhuma foto disponível...

Para fechar o ano de 2008 fica a publicação destas fotografias onde figura um instrumento que promete estar voltado para o futuro...da música e dos órgãos!



Um obrigado a todos que, durante este meio ano, seguiram o blog dedicado à memória do Padre Compositor Joaquim Gonçalves dos Santos.

Que 2009 traga boas novidades e acontecimentos para a música em Portugal...

[fotos de G. Luna - gentilmente cedidas pelo IPSAR]

Ver na Agenda IPSAR

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Um dia sagrado | Dia de Natal | Música para a Liturgia


Dia que fica registado neste blog dedicado a um homem com um sentido de religiosidade extremamente acentuado, um Amigo que nunca negou o Amor a Cristo e que colocava a sua alma de Sacerdote em tudo o que fazia, particularmente na Música que compôs.

Um dia sagrado brilhou sobre nós.
Vinde, ó povos adorar o Senhor,
porque uma grande luz desceu sobre a terra.

Exultam de alegria os povos da terra, porque o Senhor vem salvar-nos. Aleluia.

O Senhor é rei: exulte a terra,
rejubile a multidão das ilhas.
Ao seu redor, nuvens e trevas,
a justiça e o direito são a base do seu trono.

Os seus relâmpagos iluminam o mundo,
a terra vê-os e estremece.
Os céus proclamam a sua justiça
e todos os povos contemplam sua glória.


Obra litúrgica, própria do Natal, publicada no ano de 1988 na edição número 47 da Nova Revista de Música Sacra.
Dividida em três partes, esta obra é destinada à liturgia. Com uma antífona de efeito extremamente brilhante e anunciativo, a música, está envolvida numa majestade constante com auge no refrão, que deve ser cantado por toda a Assembleia. Por sua vez, o carácter contemplativo das estrofes dá força e contraste a este, aparentemente, simples cântico para a liturgia...

XVIII Encontro de Música Antiga de Rio Longo (2008); interpretação do grupo vocal Ançã-ble.


domingo, 21 de dezembro de 2008

"Esperando o Natal da Música" | Joaquim dos Santos

Há cerca de um ano a Agência Ecclesia publicou no seu site um artigo do Maestro.

Muito sugestivo...
(11.12.2007)

"Chegou-me às mãos uma entrevista de duas grandes personalidades (o Monsenhor Franco Ravasi e o grande Maestro Riccardo Muti da orquestra La Scala de Milão), focando especialmente a música de Natal e tecendo profundas considerações sobre o seu carácter, a sua finalidade, etc.
Começo por recordar uma frase de Cassiodoro aí citada “se cometerdes injustiça Deus deixar-vos-á sem música”, e cujo comentário aí expresso diz que em parte isso vai acontecendo quando a música se torna ruído - este é já um castigo. Se da música em geral passarmos à música sacra - natalícia ou outra - que deve ser oração, serenidade contemplativa e beleza, se nesta houver algo de contraditório ao acima exposto, então passamos inexoravelmente à aplicação daquela famosa frase “corruptio optimi, pessimum.”
Num escrito recente de há oito dias apenas (2 de Dezembro de 2007) a escritora brasileira Adélia Prado defende o resgate da beleza na celebração da liturgia como uma necessidade vital, afirmando que “a Missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum”.
Se ao menos de enfeites se tratasse, comento eu, não estaria assim tão mal, mas imperam fortemente os “desenfeites”, enchendo o espaço sagrado e a liturgia de vulgaridades e mau gosto, ruídos e palminhas a Jesus, textos e melodias banais, em resumo: invasão do espaço sagrado e da liturgia com letras feias, músicas feias, comportamentos e gestos vulgares e mesmo ridículos…
Não é por falta de leis ou comissões, sejam elas litúrgicas ou musicais, que a pureza, elevação e dignidade das celebrações são assim tratadas, mas porque as normas referidas não se aplicam, e também porque as pessoas responsáveis e directamente intervenientes neste processo se deixam levar por um excesso de zelo pastoral mal esclarecido ou imbuído, quem sabe, pelo receio de serem consideradas desactualizadas. Por isso, e não só, proliferam as publicações de muita música sem o mínimo de qualidade nos textos e melodias que não levam as pessoas a rezar. A propósito e em síntese, registo esta frase de lamento e humor: “em algumas celebrações saímos da Igreja com vontade de procurar um lugar para rezar”. É indispensável redescobrir o canto-oração, o silêncio e a serenidade contemplativa, é urgente restaurar e enriquecer o culto daquilo que é essencial à sua própria natureza: a dignidade, a santidade e a beleza, pois estamos perante os mistérios mais sublimes e daí todo o nosso empenho, respeito e amor pelas coisas santas que devem ser tratadas santamente. Ocorre-me de novo aquela frase atrás citada:” a Missa é como um poema, não suporta enfeite nenhum”.
É o absolutamente novo e sempre actual. É a Incarnação, Paixão, Morte e Ressurreição do próprio Cristo. É o Amor de Deus no meio de nós, “construindo a sua casa no meio das nossas casas”.
É o Deus invisível que se torna visível aos nossos olhos. Vêem-no Maria e José, os Pastores e os Magos (agora que recordamos o seu nascimento). Viram-no aqueles cujas melodias nos legaram e permanecem entre nós. Vejam-no hoje todos quantos, através da linguagem poética e musical, têm a missão de O manifestar. Vejamo-lO também nós com os olhos puros da fé."

Joaquim dos Santos,
Compositor


http://www.agencia.ecclesia.pt/noticia_all.asp?noticiaid=54011&seccaoid=8&tipoid=183

[foto de G. Luna - gentilmente cedida pelo IPSAR]

domingo, 14 de dezembro de 2008

Novo Órgão do Instituto de Santo António dos Portugueses em Roma

Foi no passado Domingo que, em Santo António dos Portugueses, foi inaugurado o novo e moderno Órgão construído pela Casa Mascioni. Órgão voltado para o futuro, órgão que respeita a tradição.

O Concerto inaugural foi da responsabilidade do grande Mestre Jean Guillou.
Que dia memorável, que momento de indescritível grandeza. O Mundo, sem o saber, ficou muito mais rico.
Começou com a Celebração Eucarística presidida pelo Mons. Gianfranco Ravasi, Presidente do Pontificio Consiglio della Cultura, que proferiu uma bela homilia, proferiu palavras de exaltação à Música, nas suas variadas formas, palavras de exaltação à Música que é feita para Deus.
Pormenor simples, mas de grande efeito meditativo, foi o de, até à bênção do instrumento, a celebração ter sido sustentada apenas pela voz humana, a cappella. Depois da homilia, a bênção do órgão chegou e finalmente a nova voz fez-se ouvir! Eis que essa voz invade toda a igreja de Santo António, um som, uma voz que parecia estar dentro de nós... J.S. Bach, nem outro compositor poderia ser, J.S. Bach brota nos primeiros sons para uma assembleia cada vez mais entusiasta e emocionada. Do Prelúdio & Fuga em Ré Maior, ouviu-se o brilhante Prelúdio executado pelo Maestro Jean Guillou... Nasceu assim para o mundo o Órgão do Instituto de Santo António dos Portugueses em Roma, Instituto que sempre acolheu o nosso Maestro Joaquim dos Santos, instituição que merece todas as referências por parte de todos que amam a Música, a Pintura, a Literatura, as Artes e também aos que têm Amor à Igreja e a Cristo.
Para a parte da tarde estava reservado outro momento de enorme relevo, não apenas musical (em particular) mas sobretudo cultural (em geral). Na igreja não poderiam entrar mais pessoas, estava completamente cheia, completamente cheia...
Ao fundo, em frente ao altar-mor, estava agora posicionada a consola do órgão de forma que todos os presentes pudessem contemplar o vulto da História da Música que, nos momentos que se iriam seguir, iria estar ali presente.
Mais uma vez a abertura é exclusiva à música de Bach, Prelúdio & Fuga em mi menor BWV 548; começava assim um concerto onde a exaltação do órgão e do seu som foi uma constante. As obras que se seguiram foram dos portugueses Frei Jacinto e Carlos Seixas e com estas obras o Maestro Jean Guillou demonstrou o quão rico instrumento é. Quem melhor que o seu projectista para nos mostrar algumas das potencialidades do órgão Mascioni do IPSAR. A exploração de sonoridades que o instrumento permite foi uma constante nas obras dos portugueses, em particular a exploração de sonoridades que faziam ouvir um órgão ibérico, que riqueza, que imaginação teve o Mestre Jean Guillou.
Um dos momentos altos do concerto foi sem dúvida a obra "Sagues", do próprio organista. Não obstante o virtuosismo de Jean Guillou na apresentação das mesmas, a mestria com que combinou os vários registos fez com que todos presentes vibrassem e ficassem completamente surpreendidos com as "Sagues" e com a grandiosa e majestosa orquestra que acabava de assaltar a igreja. Indescritível sentimento foi aquele que o som provocou.
Corale III de César Franck integrou um momento de particular beleza, a harmonia, em todos e quaisquer sentidos, no seu total esplendor... No final, não fosse esquecermo-nos que estávamos perante um dos maiores Mestres de Improvisação da História da Música, Jean Guillou ofereceu a todos um momento totalmente revestido de brilho e, uma vez mais, de beleza.

De forma extremamente sucinta, foi assim que aconteceu no passado dia 7 de Dezembro de 2008 em Santo António dos Portugueses. Dia inesquecível que tive sorte de viver. Dia que sempre animou os projectos do nosso Maestro Joaquim dos Santos; com certeza que viveu todas as emoções da inauguração no Céu, junto dos seus amigos e mais queridos.


Nuno Costa

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Há um ano foi assim...dia 5 de Dezembro de 2007...

"Hoje, na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, é apresentado em estreia o Concerto para violoncelo e orquestra do padre-compositor bracarense Joaquim Santos.
É solista um violoncelista italiano com uma orquestra romana, dirigida pelo maestro Massimo Scapin.
Por altura da Imaculada Conceição, que se celebra a 8 deste mês, o Instituto de Santo António dos Portugueses em Roma promove desde há alguns anos um concerto. Obras de J. Santos têm sido uma presença regular. Junho, mês de Santo António, é outro momento escolhido por esta instituição para idênticas iniciativas.
J. Santos já apresentou lá várias dezenas de obras onde se incluem um Concerto para piano e Orquestra. Soube pelo autor, que lá se encontra, que uma das melodias que aparece pertence aos martírios que são de Braga.
Por ironia do tempo hoje celebra-se na Roma Portuguesa a festa dos padroeiros Martinho de Dume, Frutuoso e Geraldo. Como seria bom poder ouvir aqui o que na Roma Eterna hoje se ouvirá. Mas Braga parece não querer reconhecer atempadamente o que, por pressão das circunstâncias, virá a reconhecer: se algo temos a dar é a produção cultural original e única.
Tudo o mais talvez não passe de uma importação acrítica de padrões globalizados. Espero que venha o dia em que os verdadeiros artistas sejam tidos em conta e as verdadeiras obras de arte ocupem o lugar devido na programação dos responsáveis.
Entretanto vamos vivendo na expectativa de advento, da chegada dessa hora." (Agência Ecclesia)
[foto de G. Luna - gentilmente cedida pelo IPSAR]

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