segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Travessia | Coral de Chaves | Excertos

Aqui ficam dois resumos da obra Travessia, agora disponível no youtube.

parte 1

 

parte 2

A obra tem ampla referencia aqui neste blog.

domingo, 21 de agosto de 2011

Entrevista com o Padre Dr. Joaquim Gonçalves dos Santos | 9 de Fevereiro de 1980

Dr. Joaquim dos Santos
Director do Grupo Coral e Instrumental de São Miguel
O Dr. Santos nasceu em Rio Douro, em 13-4-1936, e é filho de António Tomás dos Santos e de Beatriz Gonçalves Pereira de Basto.
Fez a escola primária, seguindo depois para o Seminário de Braga, onde concluiu o Curso em 1962, ficando como Professor no Seminário de Filosofia, enquanto frequentava o Conservatório Nacional. [diga-se o Conservatório Calouste Gulbenkian de Braga]
Passado um ano seguiu para Roma, onde frequentou o Pontifício Instituto de Música Sacra e o Conservatório Nacional de Santa Cecília, durante seis anos, concluindo a licenciatura em música sacra.
De Roma regressou a Braga e no Seminário de Teologia desta cidade leccionou piano e direcção coral.
Em seguida regressou à sua terra natal, sendo neste momento professor de Educação Musical na Escola Preparatória [Cabeceiras de Basto] e de Moral e Religião no Colégio de S. Miguel de Refojos.
Enquanto esteve em Roma participou com várias obras em concertos públicos, adquirindo duas bolsas de estudo – uma do Estado Italiano e outra da Fundação Calouste Gulbenkian, e foi premiado com uma viagem de estudo à Alemanha.
Pusemos ao Dr. Santos a seguinte questão:

A que tipo de actividade preferencial se dedicou e ainda dedica no campo da música?
O meu maior gosto sempre foi o de escrever música. Desta actividade deriva uma colaboração permanente na Revista de Música Sacra, de Braga, e também elaboração de trabalhos que me são pedidos para várias paróquias ou agrupamentos corais. Antes da minha vinda para Cabeceiras publiquei vários livros de composição para órgão, estes feitos em Roma ainda, e depois órgão e coro e também uma obra para dois pianos e coro a quatro vozes mistas.
Como surgiu o seu apoio à Banda Cabeceirense?
Por solicitação, o que fiz de bom grado e que me deu a oportunidade de entrar mais em contacto com esse tipo de instrumentos que compõem a Banda. Compus diversos trechos para este de instrumentos e instrumentei outros trechos de Bach, Wagner, Gounod, Verdi, etc.
Como surgiu o Coral?
De toda esta minha actividade na Banda, onde me sinto como em família, nasceu a ideia de concretizar em Cabeceiras a formação de um Coral.
Quais os projectos para o futuro?
Continuar a trabalhar enquanto as pessoas quiserem e fazer do Coral um agrupamento de verdadeiro nível regional e até nacional. Já há hipóteses de solicitação duma ida do agrupamento à Galiza. Com a colaboração dos elementos que já existem e a vinda de outras vozes e se todos se irmanarem num esforço conjunto o Coral poderá ser uma pedra basilar na representação desta terra tão querida de Cabeceiras de Basto.
Quais são as principais características do Coral?
Predomina dentro do nosso reportório a música coral-instrumental, sacra, de carácter religioso ou mesmo profano, desde Wagner ao canto popular. No entanto, na maioria dos actos litúrgicos o órgão toma o lugar dos instrumentos, só porque desta maneira se torna mais fácil o trabalho de instrumentação e ensaios, e não porque não vejamos ao contrário o modo como os instrumentos deverão ser usados dentro da Igreja. Nessa altura, já se vê, deixamos em casa o bombo e os pratos, a pandeireta, a caixa e os ferrinhos…

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Tecto na Montanha | Zeca Afonso | Padre Joaquim dos Santos

Da colecção habitual, mais uma canção de Zeca Afonso harmonizada pelo Pe. Joaquim dos Santos. Apresentada pelo Coro da Licenciatura em Música da Universidade do Minho do ano de 2009. A apresentação foi feita no dia 26 de Junho de 2009 no Salão Medieval, Reitoria da Universidade do Minho. A direcção esteve à responsabilidade do Professor Vítor Lima.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Menino d’oiro | Zeca Afonso | Padre Joaquim dos Santos

Mais um doce tirado da gaveta do Padre Joaquim dos Santos… Esta simples harmonização ao alcance de todos, apresentada pelo Coro da Licenciatura em Música da Universidade do Minho do ano de 2009.

Da colecção “Seis canções de Zeca Afonso” - 2003

Salão Medieval | Reitoria da Universidade do Minho
26 de Junho de 2009


Concerto integrado no Ciclo "in memoriam - Joaquim dos Santos"


Agradecimento a Vítor Lima e José Carlos Veloso, pelo vídeo!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Quatro poemas indianos | Tagore | Música de Câmara


Excerto da entrevista conduzida pelo Prof. Doutor Luís Esteves

1 de Agosto de 2007
Diário do Minho
suplemento da edição n.º 27849

Comecemos pelo fim… Recentemente, em Roma, foi apresentada em estreia absoluta mundial a obra Le forme dello Spirito, um projecto de diálogo inter-religioso entre as religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Que significa para si esta obra arrojada e inesperada?
Antes de mais, faço questão em dizer que esta obra nasceu sem eu ter pensado sozinho, no sentido de surgir de um desafio lançado por um tenor italiano meu amigo, insistindo para que eu escrevesse algo para ele cantar. Ficou combinado satisfazer-lhe o pedido. Isto em 12 de Junho de 2003… Nesse mesmo dia, ainda em Roma, comecei a obra, após ter visitado a exposição de Arte Sacra do Sul de Portugal a decorrer em Santo António dos Portugueses, onde me foi oferecido o Catálogo dessa mesma Exposição. Aqui encontrei o texto e o próprio título dessa mesma obra: Le forme dello Spirito… Será mesmo um trabalho arrojado e inesperado? Penso que não, nem quanto ao texto, nem quanto à linguagem musical. A obra articula-se em três partes: a primeira com texto de Isaías, a segunda a partir de um texto de S. Paulo e a terceira com um texto do Corão. Na verdade, o arrojo e o inesperado poderiam estar nesta terceira parte. Mas, após o Concílio Vaticano II, esse mesmo texto, que antes poderia ser polémico, insere-se agora, perfeitamente num projecto de diálogo inter-religioso entre religiões monoteístas. É certo que alguém terá encontrado, inicialmente, problemas na junção destes textos (que na verdade, não foi minha), mas finalmente e de bom grado aceitou trabalhar e dar o máximo brilho às Forme dello Spirito.

Esta obra tem alguma relação com o concerto promovido pela RAI em homenagem ao Papa do diálogo Paulo VI, que esteve presente, e aos Padre Conciliares, realizado em Roma a 12 de Junho de 1966?
Penso que sim, no sentido de poder ter sido hipoteticamente uma obra a inserir no programa desse concerto, a que chamaram ecuménico. Na verdade, lá estavam os ortodoxos com Igor Stravinsky, os protestantes com Sibelius, os judeus com Darius Milhand e os católicos com G.F. Malipiero. Nesse mesmo programa, não destoariam Le Forme dello Spirito, como elemento de um projecto de diálogo inter-religioso entre as religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Tem escrito obras inspiradas em textos bíblicos, como, por exemplo, Prologus 6 impressões sobre o Evangelho de S. João. Como funciona esta simbiose, este intercâmbio entre o texto literário bíblico e a composição musical?
O texto literário, regra geral, é usado na composição musical como parte integrante da mesma, seja cantado, declamado, etc. pela voz humana. É dele que a música deve nascer, atendendo a determinados princípios, como a acentuação ou fraseado; o contrário é que não: primeiro a música e depois o texto – isso de maneira nenhuma! – tanto na música sacra como na profana. Quando o texto é bíblico ou de carácter religioso, ou não, e usado para criação de música pura (isto é, sem texto a ser executado), virá a constituir uma “fonte de inspiração” para o compositor, na medida em que irradia impressões, reflexos e ideias para a criação musical, sem que esta venha a tornar-se um retrato do mesmo texto literário. Passando pela serenidade e criatividade do artista, capazes de encontrar e acolher as sublimes mensagens que esses textos encerram, e transmiti-las, através do som, levam certamente o carácter pessoal no inesperado, no encantamento e na escrita do próprio compositor.

E ultrapassou as fronteiras das religiões monoteístas musicando poemas de Tagore. Porquê?
Se ultrapassei ou não as fronteiras das religiões monoteístas, os próprios textos, melhor do que eu, o poderão revelar. De qualquer modo, trata-se de Poemas que possuo desde 1968 e que já li e reli muitas vezes. Esperei apenas pela ocasião certa para musicá-los. Em nota à publicação de 4 Poemas Indianos, agora referidos, escrevi: “Foram eles que me apontaram o caminho para, discretamente, acompanhar o sonho, o encantamento, a gratidão e o louvor de Tagore, rumo ao infinito…”. Usei mesmo, nesta composição para soprano solista, clarinete, saxofone e piano, dois temas gregorianos: Veni Sancte Spiritus e Te Deum laudamos, pois parecem sublinhar todo o sentido transcendental de uma “amorosa mensagem de uma remota terra…”.


Como é que alguém que vive e refere sempre na produção das suas obras a Casa da Casinha em Moimenta, Cavez, Cabeceiras de Basto, sugerindo o apego telúrico aos confins do berço, tem um olhar tão universal, católico?
Seria de estranhar que um católico, como eu sou, não fosse realmente universal! A verdade é esta: cada um gosta sempre de estar onde se encontra bem! É este de facto o meu caso. Aqui no meu “convento” há paz, há silêncio, há paisagem a perder de vista: ao fundo, a Senhora da Graça – a Noiva do Marão –; ao lado, mais acima, o Alvão; e mais ainda, no topo da minha aldeia, as lindas e imponentes encostas do Barroso! Lá em baixo, corre o Tâmega rumo ao Douro… aqui trabalho, desde manhã cedo, apegado, naturalmente, à minha Casa da Casinha, fazendo com imenso gosto o que, musicalmente e não só, de mim pretendem e está ao meu alcance. A universalidade do meu olhar, atrás sublinhada, vem certamente de longe, ainda dos tempos de estudante de Roma, já lá vão uns quarenta anos! Dou como exemplo o seguinte: o primeiro trabalho meu, feito em concerto, foi A Corda Tensa que Eu Sou, do nosso poeta Sebastião da Gama (para coro e piano), foi tocado pelo grande amigo Luca Lombardi, ateu. Na casa Ricordi, na secção de discos, o grande especialista, quanto à edição dos mesmos, era também um outro amigo, protestante. Houve sempre entre nós o máximo respeito e uma profunda amizade que ainda hoje perdura. O facto de assinar os meus trabalhos, referenciando a Casa da Casinha, é só por uma questão de respeito e veneração pela sua linda idade: 304 anos!
entrevista completa

Quatro poemas indianos (2006) - para voz recitante e canto, violino, clarinete (2), saxofone (alto e soprano) e piano

Rabindranath Tagore (1861-1941)
Poesie, da Collana Fenice, nº 47, de Augusto Guidi e Elsa Soletta - Itália – 1961

I. Il mondo è nato dalla grande gioia
II. La luce d'innumeri giorni 02:30
III. Ricevuto ho in questa vita il dono del bello 07:05
IV. Di fronte si stende l'oceano di pace 11:38

Ilaria Patassini - soprano e voz recitante
Nora Tabbush - soprano
Yakov Marr - violino
Vítor Matos - clarinete
Domingos Castro - clarinete
Luís Ribeiro - saxofone alto e soprano
Ângelo Martingo – piano

Gravado ao vivo na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma no dia 23 de Fevereiro de 2008 (IPSAR)

sábado, 6 de agosto de 2011

Os países não se medem aos palmos | Adriana Ferreira

Sexta, 2 Setembro | 22h00

Música | Grande Auditório – Centro Cultural Vila Flor Guimarães

O Século XX na flauta

A jovem flautista Adriana Ferreira apresenta, neste concerto, o seu primeiro disco.

Com apenas dezanove anos, Adriana Ferreira elevou o nome de Portugal na esfera da música internacional ao vencer, em 2010, o Concurso Internacional Carl Nielsen, considerada a mais importante competição mundial de flauta transversal. Natural de Cabeceiras de Basto, Adriana Ferreira apresenta no Centro Cultural Vila Flor o seu primeiro trabalho discográfico intitulado “Danse des Sylphes”, contando com a presença do compositor Alexandre Delgado. Neste concerto, Adriana Ferreira é acompanhada por Isolda Crespi ao piano. O programa em cartaz é articulado em torno de uma forma e género – a sonata –, que, progressivamente estruturada no barroco e sobretudo no classicismo, é sinónimo da complexidade na escrita erudita. Fonte

Concerto de Lançamento do disco "Danse des Sylphes"
(Editora Numérica)


Adriana Ferreira / Flauta
Isolda Crespi / Piano


I PARTE
M. Bonis - Sonate Op. 64
J. Santos - Minuetto
J. Andersen - Ballade et Danse des Sylphes, Op. 5


II PARTE
H. Dutilleux - Sonatine
A. Delgado - The Panic Flirt, para flauta solo
S. Prokofiev - Sonata op. 94 em Ré Maior


Concerto comentado, com sessão de autógrafos no final.

Bilhetes disponíveis em:
www.bilheteiraonline.pt/In​formacaoEvento.aspx?codEsp​Sala=4631

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Missa Solene em honra de Nossa Senhora de Fátima | Manuel Faria – Joaquim dos Santos

Passado algum tempo, mais que o habitual, publica-se agora um novo artigo. Esta nova publicação compensa e enche as medidas pelo tempo de ausência!
Trata-se do vídeo com a Missa Solene em honra de Nossa Senhora de Fátima da autoria do Pe. Manuel Faria, que descrevo apenas com uma palavra – enorme. A versão que agora se apresenta é aquela que, de certa forma, tem dado vida a esta magnífica obra originalmente escrita para coro misto e órgão no ano de 1945. Graças à orquestração realizada pelo Pe. Joaquim dos Santos em 1984, a pedido da Comissão de Música Sacra, a Missa foi apresentada algumas vezes em público e também foi objecto desta gravação que foi devidamente editada e publicada em CD no ano de 2003 pelo Instituto Português de Santo António dos Portugueses. Quem sabe se poderá ser objecto de outras publicações… Entretanto aqui fica este belo trabalho.
Manuel Faria (1916-1983)
Missa em honra de Nossa Senhora de Fátima - para coro misto e órgão (1945)

I. Kyrie
II. Gloria
III. Credo
IV. Sanctus
V. Benedictus
VI. Agnus Dei

Joaquim dos Santos (1936-2008)
transcrição para coro e orquestra (1984)

Coro SAPOR (Maestro Massimo Scapin)
Orchestra Sinfonica Nova Amadeus
Ovidu Dan Chirilia, direcção

Gravado ao vivo no dia 7 de Junho de 2003 na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma
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O trabalho do Monsenhor Agostinho Borges é indescritível. Um exemplo excelente de Portugalidade no mundo.