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A mostrar mensagens de Julho, 2008

para ouvir... "Tormenta" - poemas do Mar, Miguel Torga - Ançãble

Tormenta. Noite medonha, aquela! O mar, tanto engolia a caravela, Como a exibia à tona, desmaiada! No abismo do céu, nem uma estrela! E a Cruz de Cristo, a agonizar na vela, Suava sangue sem poder mais nada! A fúria cega dum tufão raivoso Vinha das trevas desse Tenebroso E varria a quimera do convés... O mastro grande que Leiria deu Era um homem de pinho, mas caiu Quando um raio o abriu de lés a lés... Novo guarda dos rumos da Nação, O piloto guiava à perdição Como um pai os destinos do seu lar... Até que o lar inteiro se desfez. Até que ao pai chegou também a vez De fazer uma prece e descansar... O gajeiro sem gávea, dessa altura Que a alma atinge ao rés da sepultura, Olhou ainda a bruma em desafio... Mas a Sereia Negra que cantava No coração do mar, tanto chamava, Que ele deu-lhe aquele olhar cansado e frio. O naufrágio alargou-se ao mundo inteiro. E o corpo morto de um herói, primeiro Cruzado da unidade deste mundo, No dorso frio duma onda irada, Mandou aos mortos, com a mão

testemunho... o concerto...

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"Surgiu na minha vida, há cerca de meio ano, a oportunidade de ter aulas de harmonia com o Dr. Joaquim dos Santos, através da amizade do Professor Tadeu Filipe (organista) e do Pe. José Cordeiro (Reitor Colégio Pontifício Português de Roma) que já conheciam o grande músico e sobretudo a pessoa de quem escrevo. De início me apercebi, pela insistência destes dois, que valia a pena frequentar aulas de harmonia para ficar mais enriquecido no âmbito da música sacra. Foi cerca de meio ano que frequentei as aulas de harmonia com o Dr. Santos. O Seminário de Vila Real era o local de encontro, apesar da minha insistência em me deslocar à sua terra natal, o Dr. Santos teve a amabilidade de se deslocar "por minha causa" a Vila Real semanalmente. Logo me apercebi com o decorrer das aulas que estava diante de um ser extraordinário, no que concerne à simplicidade, amabilidade, afabilidade e sobretudo à presença do seu amor a Cristo. Os aspectos musicais marcaram-me muito, pude aper

para ouvir... Concerto para Piano e Orquestra - Ana Telles

1º andamento 2º andamento 3º andamento

para ouvir... "Sinfonia do Silêncio" - Pe. Fernando Martins

Sinfonia do Silêncio. Vai longa a noite, não vislumbro nada, E a dura via-sacra continua. Há só uma verdade nua e crua: Não há Páscoa, nem rompe a madrugada. Há, porém, cá no fundo, uma alvorada, Invisível, em pleno Sol, na rua, Mas palpável, pois fortemente actua, Mesmo dentro de uma alma amargurada. Tem sabor a Sexta-Feira Santa. E, apesar desta dor ser tal e tanta, Dá lugar para entrar na sinfonia Do silêncio que tanta gente canta, Com a voz atravancada na garganta, Mas na esperança do Eterno Aleluia. poesia de pe. Fernando Martins (1930 - 1999)

"Já sou apenas Som"...24 de Junho de 2008

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      in memoriam de Joaquim Gonçalves dos Santos (Vilela, Cabeceiras de Basto, 13.04.1936 – Moimenta, Cabeceiras de Basto, 24.06.2008) "Talvez começar por dizer que a morte de Joaquim dos Santos é a negação da própria morte. É-o para os crentes, para aqueles que o conheciam como padre e homem de crença profundamente cristã, comungando com ele a fé na vida eterna, a verdadeira vida que alcançamos depois da vida. Como também o é para os que não crêem, mas que o recordam como maestro de uma obra musical ímpar, prolífica e cheia de uma qualidade inspirada, de uma qualidade intocada, de uma qualidade verdadeiramente artística e excelente. Joaquim dos Santos, Doutor Joaquim dos Santos, Padre Joaquim dos Santos, Maestro Joaquim dos Santos, permanece assim na memória e nas orações, e a sua obra, como a sua fé, granjeiam-lhe a eternidade. E é, contudo, com um sentimento de tristeza e de perda que falamos de Joaquim dos Santos, que para além de arti

para ouvir... "Largada" - poemas do Mar, Miguel Torga - Ançãble

Largada. Foram então as ânsias e os pinhais Transformados em frágeis caravelas Que partiam guiados por sinais De uma agulha inquieta como elas. Foram então abraços repetidos À Pátria-Mãe, Viúva que ficava Na areia fria aos gritos e gemidos Pela morte dos filhos que beijava. Foram então as velas enfunadas Por um sopro viril de reacção Às palavras cansadas Que se ouviram no cais dessa ilusão. Foram então as horas no convés Do grande sonho que mandava ser Cada homem tão firme nos seus pés Que a nau tremesse sem ninguém tremer. Miguel Torga (1907 – 1995)

...o Maestro...13 de Abril de 1936

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"Frequentou os seminários arquidiocesanos de Braga, onde iniciou os estudos musicais, que desenvolveu sobretudo sob orientação de Manuel Faria. Do seu principal mestre recebeu os primeiros impulsos para a composição musical, de que resultaram algumas obras, ainda como estudante; mas desse contacto resultou, sobretudo, o gosto pela composição, que implicou a exploração de novos caminhos musicais, mesmo se bastante distintos do mestre. Ordenado presbítero e após breve passagem pelo Conservatório de Música de Braga, prosseguiu, a partir de 1963, os estudos em Roma, no Pontifício Instituto de Música Sacra, como bolseiro do Estado Italiano e da Fundação Calouste Gulbenkian. Em 1965 foi premiado pelas suas composições, que foram executadas em concerto. Durante a sua estadia em Roma, fez ainda o curso de direcção e interpretação polifónica no Conservatório de Santa Cecília. Regressado a Portugal, levou uma existência simples, entre a leccionação musical a vários