quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Peregrinação ao Sameiro termina com missa cantada por cinco coros…

Outra pesquisa, outro artigo… aqui fica. Diário do Minho, 2004.
A Orquestra do Norte, sob a regência do maestro Ferreira Lobo, e cinco grupos corais vão cantar domingo a Missa de Nossa Senhora do Sameiro, da autoria do cónego Manuel Faria com orquestração do padre Joaquim Santos, no santuário construído para assinalar a proclamação, há 150 anos, do dogma da Imaculada Conceição.
A centena e meia de coralistas entoará também o Hino da Coroação da imagem de Nossa Senhora, outro dos acontecimentos que está a ser comemorado no maior santuário mariano de Braga, dando assim maior solenidade à eucaristia celebrada no final da primeira grande peregrinação diocesana ao Sameiro — está previsto começar às 11h00. Os cantores fazem parte dos grupos corais da Sé, Sameiro, São Martinho de Dume, Azurém e Orfeão de Braga. A inauguração de uma capela (ver nesta página, em baixo) e a apresentação de uma nota pastoral do Arcebispo de Braga, que presidirá à missa campal, a convidar para a peregrinação nacional que terá lugar no dia 8 de Dezembro com a presença de um cardeal-legado do Papa (ver Diário do Minho de amanhã), são outras notas de registo da celebração que atrairá a Braga milhares de pessoas no próximo fim de semana. A caminhada tem início às 07h00 na Sé de Braga. Antes, na próxima sexta-feira à noite, realiza-se uma procissão de velas pelas ruas da Cidade com a imagem de Nossa Senhora do Sameiro, que desde o início de Maio foi recebida por todas as paróquias daquela Zona Pastoral. Ao contrário do que chegou a ser anunciado, a peregrinação do próximo domingo terá apenas carácter diocesano — na eucaristia, que será transmitida pela Rádio Renascença, só é esperada a presença dos Bispos de Braga, sendo a missa também concelebrada por algumas dezenas de padres. Alguns prelados agendaram para a mesma data a celebração do Dia Diocesano; e em Fátima, é benzida a primeira pedra da nova basílica. Assim, e por decisão da Conferência Episcopal, a reunião dos bispos portugueses no Sameiro acontecerá apenas em Dezembro, no dia 8, numa celebração que ficará assinalada com a entrega da “Rosa de Ouro”, atribuída pelo Papa, ao Santuário. Até lá, e tal como tem acontecido nos últimos meses, o recinto do Sameiro continuará a ser palco de grandes eventos, dos quais falaremos nos próximos dias: destacamos as jornadas de estudo (8-10 de Outubro) subordinadas ao tema “Os caminhos de Maria nos caminhos para Deus”; o encontro de santuários de Portugal e da Galiza (5-7 de Novembro); o encontro de confrarias marianas (27 de Novembro); a edição de uma medalha comemorativa e a publicação de uma nota pastoral da Conferência Episcopal; e também a publicação do texto, com explicação doutrinal, do dogma da Imaculada Conceição, proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de Dezembro de 1854.

Texto, José Miguel Pereira
Publicado a 02-06-2004

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Feria quarta Cinerum | Quadragesima

Quarta-Feira de Cinzas - Iniciamos o Tempo Quaresmal e, como vem acontecendo neste blog, publica-se um cântico litúrgico próprio do Tempo agora iniciado.
Se há cânticos do Dr. Santos que muito encerram em si são, para mim, todos aqueles ligados ao Mistério Pascal.
Com meios extremamente simples fez verdadeiras pérolas. Isso já foi dito muitas vezes aqui no blog mas quando se tem a sorte de abrir verdadeiramente cada caixinha, temos o privilégio de encontrar essa pérola simples, muito brilhante e valiosa que emana uma beleza e frescura como não se vê noutro lado…

Desde a aurora Vos procuro | NRMS 40 | 1986


Desde a aurora Vos procuro, Senhor.
Não escondais de mim o vosso rosto.
 
(Salmo 62, 2-6)
Senhor, sois o meu Deus: desde a aurora Vos procuro.
A minha alma tem sede de Vós.
Por Vós suspiro
como terra árida, sequiosa, sem água.

Quero contemplar-Vos no santuário,
para ver o vosso poder e a vossa glória.
A vossa graça vale mais que a vida:
por isso, os meus lábios hão-de cantar-Vos louvores.

Confesso o meu pecado (Cântico de Quaresma)

Grupo vocal Ançã-ble
Pedro de Miranda | direcção
Isaías Hipólito | órgão

Rio Longo, Setembro de 2008

Outras gravações Ançã-ble:
Senhor Jesus Cristo | Nasceu o sol da Páscoa | Confesso o meu pecado (Quaresma) | Um dia Sagrado (Natal) | Largada | Tormenta | Rapsódia Campestre | Canção de Embalar (Zeca Afonso)

domingo, 14 de fevereiro de 2010

À descoberta de Joaquim dos Santos…

É extremamente interessante descobrir os novos documentos que o Espólio do Compositor Joaquim dos Santos tem para oferecer constantemente… Desta vez, uns filmes caseiros que mostram o Maestro simples e humilde que sempre conheci… Extremamente gratificante.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Exposição | Joaquim dos Santos: Compositor | expositor 7

Expositor 7 

Para começar, devo dizer com toda a verdade e justiça: se não tivesse entrado para o Seminário, penso que nunca teria seguido música [Joaquim dos Santos in Diário do Minho, suplemento da edição n.º 27849, 1 de Agosto de 2007].

Joaquim dos Santos, expoente da música sacra do século XX em Portugal, começou as suas experiências como compositor, ainda bem cedo, enquanto aluno do Seminário Menor. Nesta Instituição recebeu as primeiras lições de alguns dos mestres em música sacra proeminentes da época destacando-se a figura do insigne Manuel Faria. Nas palavras de D. Joaquim Gonçalves […] havia um grupo restrito de alunos que reunia frequentemente com o Dr. Faria […] neste grupo, facilmente se verificará, Joaquim dos Santos ocupou um lugar de destaque. Desses jovens teólogos candidatos a compositores, falava-se de Joaquim Santos como o discípulo mais fiel ao mestre e também como o aluno que o mestre gostava de referir.

Sobre o início da sua dedicação à música, Joaquim dos Santos afirmou: Quem está no início de toda esta minha caminhada no mundo da música é, sem dúvida, o Cónego Dr. Manuel Faria. Sei até que esta minha afirmação não é surpresa para ninguém, o que seria surpresa era se eu me atrevesse a dizer que a sua influência se limitaria a esse arranque inicial! [Joaquim dos Santos in Diário do Minho].

Os primeiros esboços musicais das pautas do jovem Joaquim dos Santos foram acompanhados de perto por Manuel Faria. O resultado deste acompanhamento está presente nos cânticos de juventude onde ressaltam algumas anotações e correcções da mão do mestre e onde o aluno anota no final de cada partitura visto pelo Dr. Faria.

Este acompanhamento de proximidade e orientação (mestre/discípulo) reflectiu-se no conhecimento de algumas das obras mais importantes de compositores do século XX que viriam a influenciar os seus princípios de composição. Manuel Faria apresentou a Joaquim dos Santos, através de inúmeras partituras, as obras de grandes compositores como Maurice Ravel, Igor Stravinsky, Oliver Messiaen, Benjamin Britten. A experiência musical de Joaquim dos Santos levou-o a encontrar-se com a música de outros nomes cimeiros como Frank Martin (aconselhado pelo maestro Ernest Ansermet) Penderecki em que a admiração pela sua obra está patente na Passio et mors NSJC secundum Lucam de Joaquim Santos. Nos últimos anos, Joaquim dos Santos viu também com especial interesse a obra de Godofreddo Petrassi. Contudo, a sua linguagem musical será sempre marcada pelo seu Mestre e Amigo - Manuel Faria.

A sua estadia em Itália ficou marcada, não só pelos ensinamentos de outro grande Mestre e um grande Amigo, Armando Renzi, que sempre o acompanhou no trabalho de cada dia, mas também pelo esforço de se manter actualizado em relação à música que se ia produzindo: Durante a minha estadia de 6 anos na Cidade Eterna, procurei estar sempre ao corrente do que se ia publicando, em partituras ou discos, e fui adquirindo um bom número desse material que sempre considerei e considero muitíssimo precioso para mim [Joaquim dos Santos in Diário do Minho].

Os laços com a cidade de Roma ficaram ainda mais estreitos com a sua ligação ao Instituto Português de Santo António em Roma (IPSAR), no ano 2000, que muito contribuiu para a divulgação e reconhecimento da obra de Joaquim dos Santos, estabelecendo-se uma nova fase na vida do compositor.

O seu prestígio como compositor tem ultrapassado fronteiras, sendo que muitas vezes, o seu reconhecimento em Itália manifesta-se mais claramente do que em Portugal com um número de estreias e de gravações de composições suas declaradamente maior. O compositor afirmou com uma certa amargura que Bem gostaria que a frase que por aí anda – “o que é nacional é bom” – se aplicasse também ao mundo da arte musical! [Joaquim dos Santos in Diário do Minho].

Este percurso na sua vida deu origem a uma vasta obra, quer religiosa quer profana, que abrange vários géneros, estilos, e formações instrumentais. O próprio compositor descreve a sua obra como Um pouco de serialismo, atonalismo (sobretudo na música de câmara) e ritmos brilhantes e fogosos [in SIMÕES, Carla, Joaquim dos Santos, um Compositor no Panorama Musical Português contemporâneo, Instituto de Estudos da Criança, Universidade do Minho, Abril de 2000], afirmando mesmo que não tem a menor dúvida de que a [minha] linguagem musical está actualizada [Joaquim dos Santos in Diário do Minho].

Das muitas obras que lhe eram solicitadas, quer por instituições quer por particulares, muitas foram as que se executaram com êxito e foram aplaudidas pelo público, embora haja também um bom número que não chegaram a ser executadas em vida do compositor.

Desde a música Sacra à música popular, passando pela música orquestral, coral sinfónica, de câmara e solista, todas evidenciam a excelência de um compositor do nosso tempo que escrevia com toda a sua alma, entregando um pouco de si próprio a cada nova criação: Numas e noutras me encontro, algo de mim próprio ali está… [Joaquim dos Santos in Diário do Minho].

A última obra que compôs data de 19 de Junho de 2008, Prelúdio e Fuga com Coral, para órgão, deixando-a terminada mas ainda em rascunho. A última composição sua a que assistiu foi a Paixão segundo S. João, interpretada pelo Coral de Chaves, com os solistas Liliana Coelho (Narradora), Bruno Nogueira (Sinagoga), José Carlos Miranda (Jesus), em Sambade (Alfandega da Fé) a 14 de Junho de 2008.

Na sua mesa de trabalho, e segundo informações de Nuno Costa, responsável pelo espólio de Joaquim dos Santos, o compositor deixou inacabada a composição de uma Missa para dois solistas, coro, órgão e orquestra.

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.

Exposição | Joaquim dos Santos: Compositor e Pedagogo | expositor 6

Expositor 6 

(…) O trabalho intitulado "Joaquim Santos - Um Compositor no Panorama Musical Português Contemporâneo" contém um CD com estas obras interpretadas pelo coro Cantata. A estas oito canções iniciais o compositor acrescentou mais duas com base em dois poemas do mesmo livro.

Este trabalho veio a ser publicado, em Dezembro de 2003 pela autora numa edição da Casa do Professor com as partituras das obras, escritas pela mão de Joaquim dos Santos. Nesta publicação, Sons p’ra Guitarra da boneca, surgem novas canções: Andorinha, Olaria, O meu poema, a minha ilustração e A minha melodia.

A Canção É Sempre Natal para Coro, Voz Recitante e Piano publicada pela Separata da Revista Educação Musical da APEM (Dezembro, 2003) faz parte de um conjunto de obras que o compositor escreveu para os seus alunos de Cabeceiras de Basto interpretarem por ocasião do Natal.

Das obras para crianças compostas por Joaquim dos Santos entre 1982 e 1999, para além das referidas, citamos:

- Quatro Canções de Natal [Coro. Piano e Flautas de Bisel] (1982)

- O Natal na minha escola [Canções para Coro e Piano] (1985)

- Dança e Modinha [Coro e 10 Instrumentos de Orquestra] (1994)

O legado deixado por Joaquim dos Santos é um contributo valioso no campo do repertório musical infantil português que se veio a associar ao já existente de compositores como Fernando Lopes Graça.”

Alfredo Meireles e Sérgio Silva, alunos do 2º ano da Licenciatura em Música. – Excertos da referida obra “Joaquim Santos – Um Compositor no Panorama Musical Português Contemporâneo”

Exposição | Joaquim dos Santos e o seu Mestre Manuel Faria | expositor 5

Expositor 5

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

para ouvir… e ver… preludio, ricercare & passacaglia | órgão

Uma obra belíssima…

Preludio ricercare & Passacaglia_1968

 

Gravado ao vivo no dia 29 de Outubro de 2000 na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma (IPSAR). Interpretação de Giampaolo di Rosa. (órgão Ruffatti da década de 50)

Captação áudio de Antonio Cenciarelli; Vídeo de Cipriana; Mistura de Nuno Costa


“A 24 de Maio de 1968 foram executadas (…) duas obras de Joaquim dos Santos: Ricercare, Passacaglia e Finale, para órgão, e Toadas de Natal, para coro e dois pianos (…) dirigida por Joaquim dos Santos. O Maestro Ernest Ansermet (1883 – 1969) esteve presente na actuação e, aplaudindo com entusiasmo, fez questão de cumprimentar o jovem compositor. Depois de uma longa conversa, o Maestro aconselhou Joaquim dos Santos a ouvir e estudar a obra do compositor suíço Franck Matin (1890 – 1974).
Vários jornais e revistas teceram críticas elogiosas a respeito destas obras. O Jornal diário italiano Il Messagero fez notícia a 26 de Maio de 1968 acerca deste concerto com particular menção das obras de Joaquim dos Santos."

in Carla Simões: Joaquim Santos - Um Compositor no Panorama Musical Português Contemporâneo - volume I Departamento de Expressões Artísticas e Edução Física - Instituto de Estudos da Criança, Universidade do Minho - 2000

Partitura (clique para aceder à partitura disponível na apao.web)

www.ipsar.org