terça-feira, 28 de outubro de 2008

para ouvir..."Espadeladas" - violino, viola d'arco e harpa

interpretação de Barbara Agostinelli (violino), Paolo Finotti (viola d'arco), Simonetta Perfetti (harpa). Gravado ao vivo no dia 1 de Fevereiro de 2004 na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma.

Depois de Debaixo da Oliveira, O Ratinho mal criado e Ó Tia Aninhas segue a canção Espadeladas... Termina assim a publicação das Quatro Canções Populares Portuguesas para violino, viola d'arco e harpa. Também esta bela melodia foi alvo de arranjos para coro...belíssimos arranjos...

"Estas Quatro Canções Populares Portuguesas fazem parte duma colecção de algumas dezenas por mim recolhidas no Minho e Trás-os-Montes, nas décadas de 70 e 80. As quatro, agora apresentadas para [violino, viola e harpa], nascem da sugestão do Monsenhor Agostinho da Costa Borges, Reitor do Instituto de Santo António dos Portugueses em Roma, destinando-se a [três] artistas seus amigos que as irão executar. Procurei, mesmo nas pequenas variações ao tema, conservar a simplicidade, a graça, a candura e a alegria que encerram - retrato perfeito da alma do nosso povo. Onde quer que venham a ser tocadas, serão sempre, assim o espero, um eco das nossas vozes, as vozes deste Portugal à beira-mar plantado. Com imenso gosto dedico ao Monsenhor Agostinho Borges estas singelas páginas. Casa da Casinha, 27/05/2003".

A canção popular portuguesa é assim...belíssima!

Para ouvir da mesma colecção:

O ratinho malcriado; Debaixo da oliveira; O tia Aninhas

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Travessia, o Oratório | Concerto 22 de Outubro de 2006

capa dos programas de concerto do oratório Travessia
(Diocese de Vila Real 2006)

Há precisamente dois anos, na Sé Catedral de Vila Real, teve lugar a primeira apresentação integral de um Oratório, único e singular, quer na forma, quer na abordagem do Texto, um Oratório que evoca as gentes e terras de Trás-os-Montes e Alto Douro, um Oratório que conta e canta a história de um Povo, um Oratório que anuncia o futuro desse mesmo Povo, um Oratório dedicado às gentes simples e desconhecidas desse pedaço de terra que é Trás-os-Montes… Com texto do Bispo de Vila Real – D. Joaquim Gonçalves, esta obra de um fôlego que não está ao alcance de quem se ilude com uma escrita musical aparentemente acessível, esta obra de interpretação extremamente complexa, esta obra de um lirismo arrebatador apenas podia brotar da sensibilidade, sabedoria e maturidade de um colossal e extremamente humilde Ser Humano como este que conheci e conheço – Joaquim dos Santos…
«…gosto muito de todas as minhas obras, desde as maiores às mais pequeninas. Numas e noutras me encontro, algo de mim próprio ali está… Aquela que poderá constituir uma espécie de auto-retrato mais perfeito e acabado (…) será o oratório Travessia, para 2 solistas, coro e orquestra, com o texto do Senhor Bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves. (…) Será, pois, a obra que mais me revela e onde o ouvinte poderá encontrar a majestade e a grandeza aliadas à simplicidade e candura, o inesperado, os contrastes, o trágico e o lírico, num clima de contínua novidade, na sua duração de cerca de três horas…» Foi desta forma que Joaquim dos Santos respondeu quando lhe perguntaram
«Qual é a sua obra que considera encerrar mais energia, maior capacidade, um possível auto-retrato? E porquê?».

Na altura em que Joaquim dos Santos deu esta entrevista [publicada no Diário do Minho a 01.08.2007 e no presente blog a 06.08.2008] tinham-se feito 7 concertos da Travessia no Distrito de Vila Real, no entanto, em nenhum deles se tinha feito a apresentação da obra completa.

Reservar-se-ia a apresentação integral da obra para a noite de 22 de Outubro de 2006, no concerto realizado na Sé Catedral de Vila Real.

Quem assistiu a esse concerto, não obstante o facto de haver ainda pouca consistência na interpretação de várias passagens, pôde confirmar as palavras do compositor… Sim, a Travessia é uma obra grandiosa, onde o ouvinte encontra «a majestade e a grandeza aliadas à simplicidade e candura, o inesperado, os contrastes, o trágico e o lírico, num clima de contínua novidade», não pelo tamanho (embora seja extensa), mas pela forma como as ideias musicais foram entrelaçadas. Citando o Dr. João Duque, digo que Joaquim dos Santos «em obras coesas, perfeitamente unitárias e completas, consegue um estilo que acolhe, sem preconceitos nem discriminações, os contributos de diversas fases da história da música. Desde o gregoriano aos nossos dias, sem a falsidade da mera citação, mas também sem estéreis subjugações a escolas ou estilos rígidos. De forma singelamente pessoal e única, deixando para trás academismos de todo o género, antecipou e prossegue, numa coerência rara, uma espécie de "pós-modernidade" musical, muito para além de qualquer modernidade forçada ou de qualquer classicismo anacrónico. É, pelo contrário, a simplicidade do seu pensamento musical que determina os recursos a utilizar, resultando disso obras claramente contemporâneas e, simultaneamente, naturais, evidentes, por isso acessíveis ao público com um mínimo de sensibilidade musical.»

Cada ideia musical da Travessia serviu para dar maior realce ao texto, de uma forma quase descritiva; se, porventura, alguém tivesse a ousadia de apresentar a obra suprimindo-lhe o texto, apenas com a melodia respeitante a cada parte vocal, o ouvinte que conhece bem a região podia identificar cada uma das “tribos” (zonas pastorais) da diocese, através das sonoridades que dão corpo às secções musicais que as representam. Com a publicação de hoje apenas se pretende recordar esta grandiosa obra que merece ser estudada a fundo e evocar o segundo aniversário da primeira execução integral da mesma. Foram intérpretes a soprano Inês Villadelprat, o tenor Fernando Guimarães, o Coral de Chaves e a Orquestra do Norte, sendo a direcção musical da responsabilidade do maestro José Ferreira Lobo.

Dia que fica registado na memória, pelos mais belos motivos...

interior da Sé de Vila Real

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

"Novas da Grande Música" (3) | 30.09.2006

Continuando a divulgação da rubrica "Novas da Grande Música", é publicado outro artigo neste blog. Relembro que estes artigos foram publicados desde 2005 pelo Ecos de Basto – Jornal Regionalista trissemanal – escritos pelo Professor Paulo de Almeida. A recolha destes artigos locais continuará a ser divulgada no presente blog...

"Eis-nos aqui de novo para vos dar a conhecer as Novas da Grande Música. Com efeito, no ano do septuagésimo aniversário do nosso estimado e grande amigo Joaquim Gonçalves dos Santos, o Instituto de Santo António dos Portugueses em Roma, pela mão do Reverendo Monsenhor Agostinho da Costa Borges, lançou, homenageando o compositor, uma colectânea de quatro CDs em que houve o cuidado de seleccionar obras representativas da sua produção e que são um reconhecimento da sua actividade musical.
Nestes CDs ressaltam algumas formas fundamentais: obras de música sacra, obras para solo instrumental, obras de música de câmara e obras sinfónico-concertantes. No entanto, e perante esta variedade formal, há uma linha condutora, há um “estilo”, uma maneira de pensar e escrever os sons que define a personalidade musical do compositor; quem ouve a música de Joaquim Gonçalves dos Santos já se apercebe dessa maneira de pensar, dessa forma de estar musical, desse “estilo”.
Mas, poder-se-á perguntar, quais são essas obras? Pois bem... Relativamente à Música Sacra temos a Cantata a Santo António dos Portugueses para barítono (Ellore Nova), coro misto (coro SAPOR) e orquestra sinfónica (Nova Amadeus) dirigidos por Anne Randine Overly, a Sinfonia do Silêncio que foi executada pelo barítono Carlos de Miranda, pelo violinista Renato Riccardo Bonaccini e pelo organista Giampaolo Di Rosa e Lamentationes Jeremiae Prophetae, cantata para barítono, coro misto e orquestra sinfónica; também a Via Crucis e Juxta Crucem, estas duas para orquestra de sopros e voz recitante. Ainda, e pelo grupo vocal «Ançãble» sob a direcção de Pedro de Miranda, Crucem tuam, Christus factus est e Nasceu o Sol da Páscoa.
No que diz respeito à música de câmara temos uma grande variedade de peças em que nos é mostrado o quão versátil é este grande compositor contemporâneo e nosso conterrâneo. Temos peças para clarinete e piano (Impressões e Concerto), para dois clarinetes (Scherzetto), outras para violino, viola e harpa (Quatro Canções Populares Portuguesas e Homenagem a Petrassi), uma outra para duas violas e três violoncelos (Fiore de Lino), etc. Mas também aparecem os mais inesperados complexos instrumentais com por exemplo marimba e órgão (Pequena Fantasia), marimba e piano (Diálogo) e bandolim, bandocelo e piano (Capriccio).
Relativamente a géneros mais formais e assumidos no género sinfónico temos o Concerto para Piano e Orquestra com Ana Telles Antunes no piano e a Orquestra Sinfónica Nova Amadeus dirigidos por Jean-Sébastian Béreau, o Concerto para Violino e Orquestra com um jovem promissor violinista de Guimarães -Emanuel Salvador e a Orquestra Sinfónica Nova Amadeus desta feita sob a direcção de Massimo Scapin e a sinfonia Roma Eterna em que a orquestra referida nas linhas anteriores seguiu a batuta de Ovidiu dan Chirila. Ainda temos que referir a peça Prologus – 6 impressões musicais do Evangelho de S. João (interpretada por Rosa Villar Cordova) em que o piano, como instrumento solista, nos mostra todas as suas potencialidades.
No entanto a discografia de J. dos Santos não se esgota nesta colectânea de quatro CDs; há outras peças já editadas, que porventura irão ser agrupadas numa outra colectânea, como por exemplo a cantata para soprano, coro misto e orquestra sinfónica A Noiva do Marão, algumas canções populares harmonizadas para três vozes mistas pelo «Grupo Coral –Flor do Linho», obras para Órgão executadas por Giampaolo Di Rosa organista italiano e actualmente professor na Escola das Artes (Universidade Católica) do Porto e ainda outras para flauta e piano e canto e piano."

Paulo Almeida

Páginas singelas duma importância singular que nos ajudam a perceber o Joaquim dos Santos que se toca nos locais remotos do nosso país; páginas que nos apresentam o Joaquim dos Santos que constantemente "viajava" de terra em terra e voltava à "sua" cidade de Roma para aí também ver, ouvir e sentir a execução das suas obras, desde a mais simples e natural à mais grandiosa e complexa das suas criações.

O tema "Cantabo Domino in Vita mea" foi anteriormente abordado neste blog, é possível consultar o artigo no arquivo "...o passado sempre actual..." no mês de Agosto 2008.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

para ouvir... "Ó tia Aninhas" - violino, viola e harpa


interpretação de Barbara Agostinelli (violino), Paolo Finotti (viola d'arco), Simonetta Perfetti (harpa). Gravado ao vivo no dia 1 de Fevereiro de 2004 na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma.

Eis o terceiro tesouro musical da colectânea Quatro Canções Populares Portuguesas. Aqui no blog, já é possível ouvir "Debaixo da Oliveira", "O ratinho malcriado" e agora "Ó tia Aninhas". Nunca é demais repetir que esta canção, tal como as anteriores aqui publicadas, foi alvo de vários arranjos realizados pelo Maestro Joaquim dos Santos...

A nota introdutória que acompanha a partitura das Quatro Canções Populares Portuguesas... "Estas Quatro Canções Populares Portuguesas fazem parte duma colecção de algumas dezenas por mim recolhidas no Minho e Trás-os-Montes, nas décadas de 70 e 80. As quatro, agora apresentadas para [violino, viola e harpa], nascem da sugestão do Monsenhor Agostinho da Costa Borges, Reitor do Instituto de Santo António dos Portugueses em Roma, destinando-se a [três] artistas seus amigos que as irão executar. Procurei, mesmo nas pequenas variações ao tema, conservar a simplicidade, a graça, a candura e a alegria que encerram - retrato perfeito da alma do nosso povo. Onde quer que venham a ser tocadas, serão sempre, assim o espero, um eco das nossas vozes, as vozes deste Portugal à beira-mar plantado. Com imenso gosto dedico ao Monsenhor Agostinho Borges estas singelas páginas. Casa da Casinha, 27/05/2003".

Como não podia deixar de ser...o meu comentário pessoal: Não desfazendo dos ímpares vultos que deram a conhecer este grande património guardado há séculos por um povo de trabalho e suor, nem sequer se tenta uma comparação, fica aqui registada a ideia que nem só do insigne Fernando Lopes-Graça viveu e vive a Canção Popular Portuguesa...

Para ouvir da mesma colecção:

O ratinho malcriado; Espadeladas; Debaixo da Oliveira

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

"Novas da Grande Música" (2) | 15.06.2006

No seguimento do que se tinha dito anteriormente, continua a publicação dos artigos "Novas da Grande Música" - rubrica publicada desde 2005 pelo Ecos de Basto – Jornal Regionalista trissemanal – que tem a assinatura do caro Professor Paulo de Almeida.

Foi com este aliciante título que se publicaram vários artigos sobre algumas das actividades do nosso Maestro e da sua Música.

"Novamente aqui estamos para darmos a conhecer as Novas da Grande Música. Desde Dezembro (de 2005) até à presente data o mundo ficou mais rico pois os sons que o povoaram e que nasceram numa povoação do nosso concelho (Moimenta-Cavês) pela mão de Joaquim dos Santos para isso contribuíram. Ora vejamos então quais foram os sons que povoaram este nosso mundo!...
A 7 de Dezembro na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma a Orquestra Sinfónica Tiberina e o Coro Feminino da igreja atrás referida, sob a orientação do Maestro Massimo Scapin no «Concerto dell’Immacolata» executaram “Carmen Fatimale” e “Arma Virosque” obras de J. dos Santos. A primeira obra referida tem texto de Amadeu Torres e foi estreada em Fátima por ocasião da comemoração dos 80 anos das aparições. Para a segunda obra o texto foi retirado da Proposição dos Lusíadas de Luís Vaz de Camões. Em Fevereiro, no dia 23, na Capela da Universidade Católica em Braga, por ocasião do “III Ciclo de Música Coral –CATHOLICANTUS” aconteceu um concerto para Órgão e Barítono em homenagem ao nosso respeitoso J. dos Santos. O barítono José Carlos de Miranda e o organista Giampaolo Di Rosa presentearam os assistentes com “4 Poemas para Barítono e Órgão” (poemas de Castro Gil, Porto Soares e J. Silva Lima); também, para Órgão Ibérico, foi executada a peça “Preludio, Ricercare e Corale”. Além destas obras de J. dos Santos foram executadas duas Árias (da Paixão segundo S. Mateus) de J. S. Bach. No final ainda houve lugar para uma improvisação organística sobre o tema litúrgico “Tomai, Senhor, e Recebei” de J. dos Santos.
Em finais de Março, mais precisamente a 31, no «Concerto di Quaresima» (novamente em Roma) foram executadas pela Orquestra Sinfónica Tiberina e pelo Coro de Santo António dos Portugueses sob a direcção de José Ferreira Lobo as obras “Via Crucis” e “Juxta Crucem” para Voz Recitante e Orquestra de Sopros. De referir que o texto lido antes de cada estação da Via Crucis são meditações escritas pelo Cardeal Joseph Ratzinger. Ambas as peças foram recitadas por Rosario Tronnolone da Rádio Vaticano e neste concerto estiveram presentes o senhor Embaixador de Portugal junto da Santa Sé assim como o senhor Reitor da Universidade Católica Portuguesa .Já no mês de Abril e por ocasião do “VIII Ciclo de Concertos de Páscoa” promovido pela Câmara Municipal de Guimarães teve lugar na Igreja de Nossa Senhora da Oliveira no dia 8, pela Orquestra de Sopros da Academia Valentim Moreira de Sá sob a orientação de Vítor Matos, a Prece para Voz Recitante e Orquestra de Sopros «Juxta Crucem» recitada por Domingos Salvador que também anunciou as 14 estações da «Via Crucis» que, para melhor ilustrar os sons emanados da orquestra, teve projecção de diapositivos alusivos a cada estação.No mesmo mês, mas desta feita no dia 22 e de novo na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma e cujo reitor, o Monsenhor Agostinho Borges oriundo de uma aldeia de concelho de Vila Pouca de Aguiar e que tem dado um grande impulso à música que se faz em Portugal (dados oficiais de uma empresa da especialidade italiana indicaram recentemente que a “Chiesa Di Sant’ Antonio Dei Portoghesi In Roma” é o terceiro pólo musical romano) aconteceu outro concerto com músicos portugueses (ou que se deslocaram de Portugal a Itália propositadamente para este evento): Vítor Matos e Domingos Castro –Clarinetes, João Paulo Teixeira –Piano, Luís Ribeiro –Saxofone e Yakov Marr –Violino. Foram executadas peças de Mozart, Chauson, Messiaen, Yakov Marr e, de J. dos Santos, as peças: - "Sonata da Chiesa” para Piano e Saxofone Barítono, - "Meditação", peça escrita para a Acção de Graças da missa pela eleição do Papa em 17 de Abril de 2005 presidida em Roma na Igreja de Santo António pelo Cardeal D. José Policarpo e – "Invenzione Concertata" e “Rondó” para 5 instrumentos. Ainda em Abril, no dia 26, mas na Igreja Paroquial de Joane, Giampaolo Di Rosa proporcionou aos presentes um «Recital de Órgão» em que foram executadas obras de Bach, Mozart, Liszt, do próprio Giampaolo e uma improvisação sobre o tema do Hino de Joane da autoria de J. dos Santos.
No dia seguinte, 27 de Abril, integrado no já referido «III Ciclo de Música Coral –CATHOLICANTUS» o grupo vocal Ançable (de Ançã – Coimbra) e o organista Giampaolo Di Rosa executaram um concerto de homenagem a J. dos Santos em que ressaltaram duas vertentes do nosso ilustre compositor: -”J. dos Santos sobre os poetas portugueses” em que os textos de Vasco A. Gonçalves, J. da Silva Lima, Miguel Torga e Mário Garcia ganharam asas com os sons para eles escritos e – "J. dos Santos e a liturgia” em que foram executados cânticos editados pela Nova Revista de Música Sacra e que são cantados em muitas das nossas igrejas; sobre um deles, «Onde há Caridade Verdadeira», foi feita uma improvisação ao órgão. Também foram cantados “Dois Motetos sobre a Paixão”. Em Maio a Academia Valentim Moreira de Sá, sediada em Guimarães, organizou uma série de quatro concertos que tiveram lugar em Guimarães, Caldas das Taipas e Brito. No último concerto, que aconteceu no dia 14 no Centro Cultural Vila-Flor mais uma obra de J. dos Santos foi executada, o “Concerto para Violoncelo e Orquestra de Sopros”. Em primeira audição absoluta o jovem Valter Freitas fez soar o seu violoncelo tendo mostrado aos presentes as suas qualidades como instrumentista assim como a beleza e o atrevimento musical da composição assinada pelo nosso amigo J. dos Santos. Volvidos oito dias, a 22 do mesmo mês de Maio no Teatro de Vila Real, estreou-se mais uma obra musical. Desta feita uma oratória para Soprano, Tenor, Orquestra Clássica e Coro. Na oratória “Travessia” foram-nos apresentados pelos solistas Inês Villadelprat, Rui Taveira, a Orquestra do Norte e o Coral de Chaves sob a direcção de Manuel Teixeira três quadros: -1º “A Distribuição das Tribos”, -2º “As Tentações do Deserto” e 3º “Os Frutos da Terra Prometida”. Um quarto quadro constituirá um novo concerto. Dos libretos distribuídos foram retiradas as linhas que se transcrevem a seguir: [Esta peça, a “Travessia” faz a evocação cristã de Trás-os-Montes e Alto Douro, sobretudo da área diocesana de Vila Real, e, em segundo plano, chama a atenção para alguns problemas da sociedade actual. No texto da Abertura e do 1º e 3º Quadros é mais notória a referência geográfica a Trás-os-Montes; no 2º e 4º Quadros acentua-se o comentário social em clave transmontana. Tem subjacente o esquema do livro do «Êxodo» - a saída dos antigos Hebreus do Egipto e a viagem pelo deserto até Canaã ou Terra Prometida – um recurso muito utilizado na literatura cristã e mesmo na literatura e cinema profanos para falar dos grandes movimentos sociais. Construíram-se quatro quadros de harmonia com o nosso objectivo: Distribuição das tribos, Tentações do deserto, Frutos da terra prometida, Despedida de Moisés e passagem do Jordão.] Ainda no dia 4 de Junho em Vagos, numa iniciativa da Universidade de Aveiro, foi apresentada uma peça para Marimba e Órgão, “Fantasia”, cuja estreia aconteceu em Aprília, arredores de Roma e também já executada na cidade de Roma e em Espanha." Paulo Almeida

Páginas singelas duma importância singular que nos ajudam a perceber o Joaquim dos Santos que se toca nos locais remotos do nosso país; páginas que nos apresentam o Joaquim dos Santos que constantemente "viajava" de terra em terra e voltava à "sua" cidade de Roma para aí também ver, ouvir e sentir a execução das suas obras, desde a mais simples e natural à mais grandiosa e complexa das suas criações.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

"Novas da Grande Música" (1) | 30.11.2005

Foi com este aliciante título que se publicaram vários artigos sobre algumas das actividades do nosso Maestro e da sua Música.
“Novas da Grande Música” é uma rubrica publicada desde 2005 pelo Ecos de Basto – Jornal Regionalista trissemanal – que tem a assinatura do caro Professor Paulo de Almeida.
Páginas singelas duma importância singular que nos ajudam a perceber o Joaquim dos Santos que se toca nos locais remotos do nosso país; páginas que nos apresentam o Joaquim dos Santos que constantemente "viajava" de terra em terra e voltava à "sua" cidade de Roma para aí também ver, ouvir e sentir a execução das suas obras, desde a mais simples e natural à mais grandiosa e complexa das suas criações.

Todos os artigos “Novas da Grande Música” serão gradual e aleatoriamente publicados neste blog. Com a sua publicação abre-se mais uma janela na divulgação da actividade musical de Joaquim dos Santos, e dá-se a oportunidade de conhecer a música que foi realizada um pouco por todo o lado e nos locais mais desconhecidos…

Páginas de uma escrita objectiva e singela... pela mão do nosso Professor Paulo de Almeida.

Começamos, então, pelo artigo editado na imprensa regional de Basto no dia 30 de Novembro de 2005…

“Teve lugar na Igreja de S. Martinho no Arco de Baúlhe no passado dia 19 de Novembro um concerto musical pelo Coro do Convívio e Ensemble de Sopros da Academia de Música Valentim Moreira de Sá (Guimarães). Do programa constava o Stabat Mater de J. dos Santos e o Glória de A. Vivaldi com instrumentação de J. dos Santos.Relativamente à primeira obra, Stabat Mater, as notas/sons provindos dos instrumentos acentuavam e davam cor e luz e sentido às palavras cantadas pelo coro e pela excelente solista – Margarida Salvador-; e como foi sentido e apreciado por todos aqueles que enchiam a igreja todo o drama vivido pela Mãe Dolorosa que, junto à cruz, contemplava Seu Filho que dela pendia! A segunda peça (uma excelente obra do grande compositor que todos conhecem por ter composto as Quatro Estações) também maravilhou todos os presentes e a instrumentação (de J. dos Santos para instrumentos de sopro) estava soberba com os clarinetes a fazer toda a linha melódica dos violinos no original. Um parêntesis para um efusivo aplauso aos clarinetistas pela excelente execução desta obra que era extremamente exigente. As solistas Ângela Alves –soprano- e Janete Costa Ruiz –contralto- assim como o Coro do Convívio também estiveram perfeitos tendo transmitindo a todos os presentes, sob a orientação de Vítor Hugo Ferreira de Matos, toda a força e excelência da peça.Tiveram também lugar outras execuções musicais com obras do nosso grande Dr. J. dos Santos. Assim, a 28 de Agosto realizou-se em Cerva /Concelho de Ribeira de Pena) um Encontro de Coros para a comemoração das Bodas de Prata do Grupo Coral «Flor do Linho» que nasceu com o objectivo de preservar e divulgar as canções populares locais e relacionadas com o trabalho do campo especialmente as que têm a ver com a cultura do linho. O grupo cujas canções populares são transcritas e harmonizadas exclusivamente por J. dos Santos nasceu pela mão deste e do Sr. Padre Joaquim Costa, pároco de Cerva. A 18 de Setembro, em S. João de Airão ocorreu uma celebração eucarística em que todas as composições eram de J. dos Santos e de seu mestre Manuel Faria.No dia 25 de Setembro ocorreu a inauguração do Órgão de Tubos de Joane (Famalicão) onde foram executados vários trabalhos do grande compositor nosso conterrâneo e que temos referido nestas linhas. No dia seguinte (26 de Setembro) e integrado nas Festas de S. Miguel de Refojos foi apresentado um programa musical no auditório municipal Ilídio dos Santos denominado “As viagens de 4 canções populares” em que quatro canções, cantadas pelo grupo coral «Flor do Linho» e recolhidas e harmonizadas por J. dos Santos eram apresentadas ao público de três formas distintas: a) audição da voz original da recolha, b) audição a 3 vozes mistas pelo Coro e c) audição em versão instrumental para Flauta e Piano.Mas o trabalho musical do compositor cabeceirense (J. dos Santos) não pára pois a 8 de Outubro do presente ano concluiu, para a comemoração dos 25 anos da ordenação episcopal de D. Joaquim Gonçalves –bispo de Vila Real-, uma obra com o título “Travessia”. Esta composição, um Oratório para Coro, Solistas e Orquestra com texto do próprio D. Joaquim descreve a viagem do Povo Hebreu do Egipto para a terra prometida e o poema, que não poderia ter sonhado outra música cuja partitura tem quase 630 páginas, é uma projecção do texto do livro do Êxodo na sua extensão e no seu carácter, feito de longos e dolorosos desertos, de nevoeiros, de esperanças e sonhos.Também estão em curso outros trabalhos para diversos concertos em Roma. Depois dos realizados em Abril e Junho vem agora o de 7 de Dezembro com duas obras: Cármen Fatimale –Poema de Fátima (Ode, em puro Latim Clássico escrito por Castro Gil) que celebra a vinda a Portugal do Papa João Paulo II como peregrino de Fátima para Coro Feminino e Orquestra. Esta peça musical teve a sua estreia em Fátima com o Coro e Orquestra do Conservatório de Braga (sob a regência de António Batista), nos 80 anos das aparições.A segunda obra a ser apresentada em Roma será “Vem” cuja estreia ocorreu no Ateneu Comercial do Porto há cerca de 10 anos na versão para Coro e Órgão. Com poema de Ana Plácido (1831-1895) -senhora de espírito culto e escritora brilhante e mulher de Camilo Castelo Branco- este soneto tem agora uma nova versão para Coro Feminino e Orquestra. Resta dizer, para finalizar, que estão já preparadas várias Músicas de Câmara para um concerto na Páscoa de 2006 assim como outras peças Corais Sinfónicas que serão apresentadas/estreadas no próximo mês de Junho.”

Por: Paulo de Almeida

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Missa Solene em Honra de Nossa Senhora de Fátima: Manuel Faria | Joaquim dos Santos

Aproveito o dia dedicado à Música para publicar, aqui no blog, uma obra pela qual o Maestro Joaquim dos Santos sempre teve um especial carinho e admiração...
Discípulo dilecto e Amigo de Manuel Faria, o Maestro, demonstra bem, na sua orquestração, o respeito e conhecimento, único e admirável, que sempre teve em relação à obra do insigne Manuel Faria.
A presente Missa foi composta para Coro e Órgão entre os anos de 1941/45; "escrever uma missa de grandes proporções é a consagração: confirma, por esta forma, o louvor recebido a quando da recepção do mais alto grau do Instituto [de Música Sacra - Roma]" (Francisco Faria, NRMS 27-28; 1983)

"Dos compositores portugueses, (...), foi sem dúvida o contacto com o compositor Manuel Faria que o conduziu [Joaquim dos Santos] a um estilo enquadrado na estética contemporânea da Música Sacra Portuguesa. Tendo em conta a comunhão de Joaquim dos Santos com os princípios criativos do último, dois elementos da Comissão de Música Sacra solicitaram-lhe que fizesse a transcrição para Coro e Orquestra da Missa Solene em Honra de Nossa Senhora de Fátima [de Manuel Faria], inicialmente para coro a 4 vozes mistas e órgão. Este trabalho foi executado por Joaquim dos Santos sob grande tensão emocional, uma vez que o compositor acompanhava simultaneamente o seu pai que se encontrava doente. A estreia desta obra teve lugar na Igreja de São Lázaro, em Braga, a 13 de Abril de 1984. A execução esteve a cargo da Orquestra Sinfónica do Porto e do Coro da Sé do Porto, sob a direcção do Maestro Gunter Arglebe." (Tese da Dra. Carla Simões: "Joaquim Santos - Um Compositor no panorama musical português contemporanêo" Departamento de Expressões Artísticas e Educação Física. Instituto de Estudos da Criança. Universidade do Minho. Braga - 2000) 





1. Kyrie
Kyrie, eleison
Christe, eleison
Kyrie, eleison
Senhor, tende piedade de nós
Cristo, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós.

2.Gloria Gloria in excelsis Deo/ et in terra pax hominibus bonæ voluntatis/ Laudamus te, benedicimus te/ Adoramus te, glorificamus te Gratias agimus tibi,/ propter magnam gloriam tuam Domine, Deus, Rex cælestis,/ Deus Pater omnipotens/ Domine Fili unigenite,/ Iesu Christe/ Domine, Deus, Agnus Dei,/ Filius Patris/ Qui tollis peccata mundi,/ Miserere nobis/ Qui tollis peccata mundi,/ Suscipe deprecationem nostram/ Qui sedes ad dexteram Patris,/ Miserere nobis/ Quoniam Tu solus Sanctus/ Tu solus Dominus/ Tu solus Altissimus/ Iesu Christe,/ Cum Sancto Spiritu/ In gloria Dei Patris/ Amen.
Glória a Deus nas alturas E paz na terra aos homens De boa vontade. Nós Vos louvamos, nós Vos bendizemos, Nós Vos adoramos, nós Vos glorificamos, Nós Vos damos graças Por Vossa imensa glória Senhor, Deus, Rei dos céus, Deus-Pai Todo Poderoso, Senhor Filho de Deus unigénito Jesus Cristo Senhor, Deus, Cordeiro de Deus Filho do Homem Que tira o pecado do mundo, Tende piedade de nós, Vós que tirais o pecado do mundo, Acolhei a nossa suplica, Vós que estais à direita do Pai, Tende piedade de nós Porque só Vós sois o santo, Só Vós sois o Senhor, Só Vós o Altíssimo Jesus Cristo, Com o Espírito Santo Na glória de Deus-Pai. Amen.
3.Credo
Credo in unum Deum
Patrem omnipotentem, Factorem cæli et terræ, visibilium omnium et invisibilium/ Et in unum Dominum, Iesum Christum,Filium Dei unigenitum/ Et ex Patre natum, ante omnia sæcula/ Deum de Deo, lumen de lumine,/ Deum verum de Deo vero/ Genitum, non Factum, consubstatialem Patri: Per quem omnia facta suntQui propter nos homines,/ Et propter nostram salutem,/ Descendit de cælis/ Et incarnatus est de Spiritu Sancto,/ Ex Maria Virgine: et homo factus est/ Crucifixus etiam pro nobis: Sub Pontio Pilato, Passus et sepultus est Et resurrexit tertia die, Secundum Scripturas/ Et ascendit in cælum: Sedet ad dexteram Patris /Et iterum venturus est cum gloria,/ Iudicare vivos et mortuos: Cuius non erit finis/ Et in Spiritum Sanctum,/ Dominum et vivificantem: Qui ex Patre Filioque procedit/ Qui cum Patre et Filio, Simul adoratur, et conglorificatur: Qui locutus est per Prophetas/ Et unam, sanctam, catholicam, Et apostolicam Ecclesiam Confiteor unum baptisma, In remissionem peccatorum/ Et exspecto resurrectionem mortuorum/ Et vitam venturi sæculi. Amen.
Creio em um só Deus
Pai Todo-Poderoso, Criador dos céus e da terra, De tudo o que é visível e invisível, E no Senhor Jesus CristoFilho Unigénito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro do Deus verdadeiro, gerado e não criado, consubstancial ao Pai: Por quem tudo foi feito E que, por nós, homens, Para nossa salvação Desceu dos céus E encarnou pelo poder do Espírito Santo, Nascendo da Virgem Maria: e fez-se homem. Crucificado também por nós: Sob ordem de Pôncio Pilatos, Padeceu e foi sepultado. E ressuscitou ao terceiro dia Conforme as escrituras. E subiu aos céus Onde está sentado à direita do Pai. Voltará novamente com glória, Para julgar os vivos e os mortos, E o seu Reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida. Que provém do Pai e do Filho E com o Pai e o Filho É adorado e gloficado: Ele que falou pelos profetas. Creio numa única, santa, católica E apostólica Igreja Confesso único baptismo, Para remissão dos pecados. Espero pela ressurreição dos mortos E a vida no mundo que há-de vir. Amen.

4.Sanctus
Sanctus, Sanctus, Sanctus
Dominus, Deus Sabaoth/
Pleni sunt cæli et terra gloria tua/ Hosanna, in excelsis. Santo, Santo, Santo
Senhor Deus do Universo/ O Céu e a Terra proclamam a Vossa glória. Hossana nas alturas.
5.Benedictus Benedictus qui venit
In nomine Domini/Hosanna in excelsis Deo
Bendito O que vem
Em nome do Senhor/ Hossana nas alturas.
6.Agnus Dei
Agnus Dei
Qui tollis peccata mundi/ miserere nobis/ Agnus Dei/ Qui tollis peccata mundi/ Dona nobis pacem.
Cordeiro de Deus
que tirais o pecado do mundo/ Tende piedade de nós/ Cordeiro de Deus/ que tirais o pecado do mundo/ Dai-nos a paz.

A presente gravação foi realizada a 7 de Junho de 2003 ao vivo na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma. Interpretação do Coro SAPOR, Orquestra "Nova Amadeus" e direcção de Ovidiu Dan Chirila.
CD200306
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