sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

De 2010 para 2011…

Mais uma ano que termina.

Esperamos que Joaquim dos Santos, o compositor… continue a ser o local de informação fidedigna para todos que querem conhecer a obra e vida do Maestro Joaquim dos Santos e, para todos que tiveram o privilégio de o conhecer em vida e com ele conviver, possa ser um local de memória viva.

Espera-se que o novo ano traga boas novidades para a música do Maestro Joaquim dos Santos. Por certo, trará…

Para terminar, aqui se deixa toda a música publicada ao longo deste ano de 2010.

música publicada ao longo de 2010

 

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Um agradecimento a quem segue com atenção este blog.

Bom 2011!

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Visto que, um dos itens mais procurados no blog é o das “Partituras”, aconselha-se que também deem uma vista de olhos na página “Vídeos Música Sacra”… uma parte dos cânticos tem hiperligação para a respectiva partitura, publicadas em outros blogs.

Ano A, Solenidade Santa Maria, Mãe de Deus, 1 de Janeiro de 2011

Para além das inúmeras sugestões que surgem um pouco de todo lado, aqui fica a deste Blog. Naturalmente, cânticos do Maestro Joaquim dos Santos…

Como Antífona de Entrada há duas possibilidades: “Salvé, Santa Mãe de Deus” (NRMS 45) ou ainda “Hoje sobre nós” (NRMS 44)

Para o dia em que a Igreja também celebra a Paz não há melhor cântico que “Senhor Jesus Cristo” (NRMS 55) – Pós-comunhão ou Final.

Bom trabalho!

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Tempo do Natal | Na terra Se fez carne | 27 Dezembro | S. João Evangelista

Em Tempo de Natal, o dia de hoje é dedicado ao Apóstolo São João, o Evangelista.

Como Antífona de Comunhão para este dia, o texto “O Verbo fez-Se carne” é o que marca e como tal aqui fica a composição do Pe. Joaquim dos Santos sobre tais palavras.

Grupo Vocal Ançã-ble, 2008

Introspecção, serenidade e alegria marcam esta composição. Claro está, todos estas palavras terão as suas diferentes interpretações perante cada ouvinte… mas nem só de arrais se traduz o conceito “alegria”…

Na terra Se fez carne o Verbo Eterno,
Fez-Se homem o Eterno Criador.
Nasceu em humildade em pleno inverno,
Quem de todas as coisas é Senhor.
Veio até nós com todo o seu poder,
Para aos fracos dar força e lhes valer.

O Criador tornado criatura.
Tornado escravo o Rei dos reis, Jesus.
Em forma de mortal, em gruta escura,
Quem era e será sempre a luz da luz.
Deus connosco entre cânticos sidérios;
Ó imenso mistério dos mistérios.

Ó Virgem sacrossanta, Mãe de Deus,
Ó Filha predilecta de Deus vivo:
Aquele que desceu dos altos céus.
Em Vós por nosso amor se fez cativo.
E Vós que o vosso Filho assim nos destes,
Nossa Mãe para sempre Vos fizestes.

NRMS 31

Morreu o maestro Manuel Ivo Cruz

Maestro Ivo CruzO maestro Ivo Cruz faleceu ontem, sábado, aos 75 anos, vítima de uma infecção.
Compositor, musicólogo e historiador, Ivo cruz foi director musical e chefe da Orquestra Filarmónica de Lisboa, maestro do teatro nacional de São Carlos e presidente do Círculo Portuense de Ópera, no Porto.
O corpo do compositor vai estar a partir das 17h30 horas de hoje em câmara ardente na Igreja da Lapa, no Porto, e o funeral realiza-se amanhã com missa às 10:00 na mesma igreja, e será sepultado no Cemitério da Lapa.
Nascido em Lisboa, em 1935, Manuel Ivo Soares Cardoso Cruz - filho do maestro Ivo Cruz (1901-1985) - formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Deu o primeiro concerto, ainda como estudante, em 1954, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, e formou-se com distinção, como maestro, pela Academia de Mozart da Universidade de Salzburgo, na Áustria.
Regressou a Lisboa e tornou-se director musical e chefe da Orquestra Filarmónica de Lisboa.
Dirigiu programas de música da RTP, colaborou nas temporadas de ópera do Teatro da Trindade, em Lisboa, e nos concertos das orquestras sinfónicas da RDP.
Foi maestro-director do Teatro Nacional de São Carlos, fundou e dirigiu os Cursos Internacionais da Costa do Estoril, e foi maestro convidado em diversos concertos e óperas em Espanha, Alemanha, França, Grécia, Itália, Brasil, Estados Unidos da América, Rússia e Venezuela.
Foi presidente e director artístico do Círculo Portuense de Ópera, no Porto, e da Ópera de Câmara do Real Teatro de Queluz.
Procurou divulgar obras musicais portuguesas menos conhecidas, fazendo, para isso, investigação na área da musicologia histórica portuguesa e apresentando um vasto reportório documentado, publicado pela EMI, Numérica e Tecla, segundo os dados biográficos da Infopédia.
Manuel Ivo Cruz recebeu, em 1969, o Prémio Moreira e Sá do Orfeão Portuense e foi distinguido pela França com o título de Oficial de Mérito Cultural e Artístico, e pelo Brasil com a Ordem do Rio Branco.
Foi ainda agraciado com a condecoração portuguesa de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2004, nas comemorações do 50º aniversário da carreira artística, com a Medalha Municipal de Mérito, grau ouro, entregue pela Câmara Municipal do Porto.

fonte

sábado, 25 de dezembro de 2010

Exulta, ó filha de Sião | Dia de Natal | Música para a Liturgia

imagens do filme “The Nativity Story” (realizado por Catherine Hardwicke)

Que dizer? Um cântico como este que hoje se apresenta apenas poderia sair da pena do Dr. Santos.

Um belo coral em oposição a uma estrofe contrastante mas plenamente consonante com o anterior. Não resisto… mas música litúrgica desta simplicidade e grandiosidade, em Portugal, só mesmo pela mão do Pe. Joaquim dos Santos. Que eficácia…

Exulta, ó filha de Sião.
Canta, ó filha de Jerusalém.
Eis que vem o teu Rei,
o Santo, o Salvador do mundo.
Alegrai-vos todos no Senhor;
Nasceu Jesus, o Rei dos Céus.
Glória. Hossana. Aleluia.
Cantai, cantai ao vosso Deus.

A interpretação habitual do Grupo Vocal Ançã-ble.

Cântico publicado na NRMS 68.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Cantata de Natal | Natal de 2002

No ano de 2002, o Pe. Joaquim dos Santos dedicava mais uma das suas composições a mais um amigo.

Obra para coro de crianças, coro misto a e vozes e piano (mais quarteto de metais) foi escrita sobre os textos de Fernanda de Castro, António Moreno, Moreira das Neves e Mendes Leal.

Uma obra digna de ser cantada neste e em todos os Natais. Das várias apresentações que já teve, deve destacar-se, aqui, a sua interpretação em Santo António dos Portugueses (Roma) no dia 21 de Fevereiro de 2009 pelo Grupo Vocal Ançã-ble. ver artigo

Duma forma, que aos poucos se identifica com idiomática, o autor inicia a sua obra num jogo como se dum scherzo se tratasse. É constante este jogo entre piano, vozes brancas e coro misto. Tudo isto nos levara a outro magnífico coral que encerra a obra com as palavras de Moreira das Neves e Mendes Leal.

Almas erguei-vos…

No Céu renasce o mundo!…

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Recordação para o natal | violino e piano | Joaquim dos Santos

Uma das poucas edições de obras instrumentais do Maestro Joaquim dos Santos é a que hoje se aborda neste artigo.

Recordação para o natal é uma obra para violino e piano que foi composta em Dezembro do passado ano de 1986. Obra explanada em dois andamentos, Andantino e Lento, com um total de 97 compassos. A edição é manuscrita e a impressão é das Oficinas gráficas da Editorial Franciscana – Braga.

Dedicatória

Como o prometido é devido, aqui vai, caríssimo Horácio Portela, esta pequenina e singela «Recordação» para o teu Natal de 1986.

A ti é dedicada com imenso gosto e profunda amizade, formulando ardentes votos de que estas páginas constituam um êxito para os artistas e seu autor.

Teu condiscípulo:

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Puer natus est | Joaquim dos Santos | Um dia Sagrado

Vem de longe a influência que o Canto Gregoriano tem na música e na pessoa do Pe. Joaquim dos Santos. Já nos longínquos anos 60, quando escreve as suas primeiras obras, rasgam pela pauta do jovem Joaquim dos Santos melodias que bebem directamente do canto por excelência da Igreja Católica.

Esta sensibilidade esteve com o Pe. Joaquim dos Santos até aos últimos dias, pois até aí não descansou de escrever música. Tanto ao nível da música secular como ao nível da música sacra, a utilização, a citação e o desenvolvimento das belas linhas melódicas que caracterizam o Canto Gregoriano foram uma constante na sua obra. Sem qualquer dúvida afirmo que, Joaquim dos Santos, foi uma das últimas personalidades, em Portugal, a dominar esta língua única que é o Canto Gregoriano e com esse entendimento ofereceu-nos muitos momentos de música sacra belíssima, música sacra com um toque verdadeiramente diferente, na simplicidade e na complexidade conseguiu transmitir uma verdadeira mensagem de Amor e Beleza.

Tomara que a Igreja de hoje e de amanhã venha a ter muitas sensibilidades e sabedorias do tamanho da deste homem simples chamado Joaquim dos Santos.

Como ponto de interesse, destaca-se aqui o belo cântico de natal (publicado há quase dois anos neste blog) “Um dia Sagrado” pela convergência que tem com o extraordinário tema “Puer natus est”. Para quem defende uma liturgia verdadeiramente enriquecida com cânticos litúrgicos dignos, aqui tem uma sugestão para o Natal que se aproxima…

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Joaquim dos Santos: um retrato biográfico e artístico

Amanhã, dia 7 de Dezembro, será feita uma apresentação sobre o Pe. Joaquim dos Santos.

Essa apresentação tem lugar numa sala da ESMAE, apresentação essa integrada na unidade curricular Oficina & Recital. Quarenta minutos destinados à divulgação do nome e obra Joaquim dos Santos por Nuno Costa.

Logo de seguida, no mesmo formato, uma apresentação sobre Luís de Freitas Branco por Nuno Osório.

18h - 20h

sábado, 4 de dezembro de 2010

Recital de Música Coral | Centro Cultural de Cascais | 11/12

No próximo sábado, dia 11 de Dezembro, o Grupo Vocal Discantus, sob a direcção de Alfredo Teixeira, apresentar-se-á em concerto com obras da Compositora Maria de Lurdes Martins (1926-2009) e do Compositor Joaquim dos Santos (1936-2008), no Centro Cultural de Cascais.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Desça o orvalho | Advento | NRMS 15 & CEC I

interpretação do Grupo Vocal Ançã-ble – Rio Longo, 2008

Desça o orvalho do alto do céu
e as nuvens chovam o Justo.
Abra-se a terra e germine o Salvador.

Ó sabedoria do Altíssimo
que tudo governais com firmeza e suavidade.
Vinde ensinar-nos o caminho da salvação.

Ó Chefe da casa de Israel
Que no Sinai destes a Lei a Moisés.
Vinde resgatar-nos com o poder do vosso braço.

Ó rebento da raiz de Jessé,
Sinal erguido diante dos povos
Vinde libertar-nos, não tardeis mais.

Ó chave da casa de David, que abris e ninguém pode fechar,
fechais e ninguém pode abrir,
Vinde libertar os que vivem nas trevas e nas sombras da morte.

Ó sol nascente, esplendor da luz eterna
e sol da justiça
Vinde iluminar os que vivem nas trevas e nas sombras da noite

Ó Rei das nações e Pedra angular da Igreja
Vinde salvar o homem que formaste no pó da terra.

Ó Emanuel, nosso Rei legislador, esperança das nações
E salvação do mundo
Vinde salvar-nos, Senhor nosso Deus

Povos que caminhais – cântico próprio para o Tempo de Advento

Grupo Vocal Ançã-ble

Partitura Povos que caminhais

Fotos in http://olhares.aeiou.pt/

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Fantasia Conventual | Orquestra de Sopros

Há um ano e um dia foi apresentada, pela segunda vez, a obra Fantasia Conventual do Padre Joaquim dos Santos. Obra dedicada a Vítor Matos, clarinetista e maestro, e tocada pela Orquestra Académica do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho.

Aqui fica o vídeo gentilmente cedido pelo Tiago Silva.

Gravado a 21 de Novembro de 2009 - por Tiago Silva

Este concerto integrou o Ciclo que a Universidade do Minho organizou em 2009 à memória do Maestro Joaquim dos Santos.

sábado, 20 de novembro de 2010

Concerto | Academia Martiniana | Tantum ergo

Na próxima sexta-feira, dia 27 de Novembro, será apresentada em concerto a obra Tantum ergo do Maestro Joaquim dos Santos na versão para coro e órgão.

O concerto será constituído por Música Italiana e Portuguesa do Século XX e terá em Joaquim dos Santos e Manuel Faria, com a apresentação da Missa Pastoril deste último, a ponte de ligação entre estas duas culturas musicais do passado século.

foto de Hélder Lopes27 Novembro. 22h30 | CANTANHEDE

IGREJA MATRIZ DE CANTANHEDE

Encontro de Música Sacra – Música Italiana e Portuguesa do Século XX

Academia Martiniana

Francisco Neves, Direcção Artística

Concerto Fundação INATEL

ver agenda

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

34º Domingo do Tempo Comum, Ano C, Cristo Rei, 21 de Novembro de 2010

É uma prática comum, em alguns sites, fazer-se a sugestão de cânticos para os vários Domingos do ano.

Longe desse objectivo semanal mas chamando a atenção para os interesses deste blog, aqui se deixa a sugestão de um cântico para entrada da solenidade que se aproxima: Cristo Rei.

Quem tiver curiosidade verá que é um cântico que merece tantas referências como qualquer outro… ou, quem sabe, mais algumas!

O Cordeiro que foi imolado – editado na Nova Revista de Música Sacra 92

Há uma publicação no livro Cânticos de Entrada e Comunhão II – Secretariado Nacional de Liturgia – mas esta edição não apresenta a polifonia do refrão (3 vozes mistas), nem o acompanhamento das estrofes; estrofes que, apenas por uma curiosidade, iniciam da mesma forma que uma conhecidíssima obra de Stravinsky!!! Também há uma gralha na indicação da NRMS onde foi editado.

Bom trabalho!

sábado, 13 de novembro de 2010

Tecto na montanha | youtube…

Das habituais pesquisas, aqui ficam dois vídeos encontrados pelo youtube!

Do arranjo que o Pe. Joaquim dos Santos fez da canção Tecto na montanha de Zeca Afonso foram “descobertas” duas interpretações.

 

Em mais uma edição dum trabalho fantástico que se vem repetindo ano após ano, a delícia dos presentes, o sentimento do dever comunitário cumprido.
Desta vez em três localizações: Universidade Católica do Porto (26-06-2010), Igreja Nossa Senhora da Maia (02-07-2010) e Igreja dos Capuchinhos em Gondomar (03-07-2010) - youtube

 

 

 

Concerto comemorativo dos 125 anos Misericórdia de Santo Tirso, a 3 de Julho de 2010. Participaram os Pequenos Cantores de Amorim, o Amorim e Laundos Ensemble, o Grupo de Sopros de Amorim, Ensemble Vocal Pro Musica, Coro da Associação do Porto de Leixões e o Coro da Misericórdia de Santo Tirso. - youtube

Canção com introdução de José Manuel Pinheiro.

Canção de embalar & Menino do bairro negro

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lançamento da glosas #2 versus NATO

lançamento da glosas #2

De forma a evitar a coincidência de se estar a desenrolar a cimeira da NATO em Lisboa,
o que poderá condicionar a mobilidade na cidade, o lançamento foi adiado para
Sábado, 27 de Novembro, às 16h, na Biblioteca Nacional

com a presença de Edward Luiz Ayres d’Abreu e Manuela Paraíso

e breve recital em que se interpretarão obras de

Alfredo Keil, Croner de Vasconcellos e Ruy Coelho

interpretadas por

Raquel Camarinha, Duarte Pereira Martins, Philippe Marques

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PROGRAMA

ALFREDO KEIL | 'Espoir', 'Angelus' e 'Souvenance'

VASCONCELLOS | 'Canção' e 'Siciliano'

Philippe Marques, piano

RUY COELHO | 'Chanson' e 'Dans la Jetée d’Alexandrie'

VASCONCELLOS | '3 Redondilhas de Camões'

ALFREDO KEIL | 'Adieu'

Raquel Camarinha, soprano; Duarte Martins, piano

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a revista estará brevemente à venda na AvA Musical Editions, onde já é possível comprar o número anterior;


para mais informações consulte www.mpmp.pt

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

(2) Antologia de poemas de Mário Garcia, S.J. | Homenagem a Manuel Faria por Joaquim dos Santos

Pedra marítima enrolada no marulhar das vagas
Retrocede às mais íntimas planuras
E queda-se baixinho murmurando:
Ó solidão das lisas madrugadas.

Dedilhaste com jeito clássico
As músicas aquáticas dos ventos
Quando surgiste, despontaram flores
E derramaram-se perfumes pelos ares.

Devagar desfolhaste os teus ensinamentos
à natureza grávida das árvores
Aos montes lúcidos da neve,
E aos píncaros altíssimos das águias.

Tudo ouviu a tua voz e ficou mudo
Porque nada sabia nomear-te
E sob as asas côncavas das aves
As pérolas da vida reluziam.

Algas dançavam pelo espaço pleno
Nos teus olhos pousavam mansamente
Como passos de reis em pétalas de espuma.
A terra fecundada deslizava nos laranjais juncados de ternura.

Só tu brincavas entre as dunas brancas
E dos teus dedos saíam melodias
Que os peixes boquiabertos recebiam
Nos vidros transparentes das escamas.

O sol almofadado, róseo,
cobria tardes sossegadas.
Voltavam vagamente os sons do mar
Roçando as folhas verdes que tremiam.

E do silêncio extático das horas
A tua mão secreta se estendia
Era a dança das algas da saudade
Tu dançavas com elas e morrias.

ver outro poema

domingo, 7 de novembro de 2010

[2002.OUT.25] Joaquim Santos ao lado de Bach e Messiaen | Diário do Minho

Na igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, foi terça-feira executada quase em estreia absoluta uma obra do Dr. Pe. Joaquim Santos, integrada num programa em que constava J. S. Bach e Olivier Messiaen.

Trata-se de uma obra para piano, “Prologus, 6 impressões sobre o Evangelho de São João”. Seis frases do prólogo deste Evangelho dão o mote a outros tantos trechos musicais: In principio erat Verbum; Et Verbum caro factum est; Et in Verbo erat vita; Et vidimus gloriam eius…

Foi intérprete a pianista Ana Telles, natural de Lisboa, a trabalhar actualmente em Paris com a viúva de Olivier Messiaen, Yvonne Loriod-Messiaen, e a preparar o doutoramento na Sorbonne sobre música portuguesa contemporânea.

Da obra de Joaquim Santos afirma que «com conceitos-base simples consegue resultados majestosos, muito invocativos». Ana Telles tinha apresentado dois excertos desta obra numa rádio portuguesa no dia internacional da música deste ano e confessa apreciar e gostar da peça.Joaquim dos Santos e Ana Telles

Joaquim Santos aparece neste concerto ao lado de Bach - “Ich ruf zu dir, Herr” na transcrição de Busoni; “Chaconne em Re menor” na transcrição de Brahms; e de Messiaen de que foram executados “La Colombe” (prelúdio), “L’Alouette Lulu” e “L’Alouette Calandrelle” do “Catalogue d’Oiseaux” e “Regards des Hateurs” e “Noël” da obra “Vingt regards sur l’enfant Jesus”. Foi ainda executada a obra “In Tempore” de J. Pedro Oliveira (para piano e fita magnética).

Quem conhece a obra do organista titular da “Église de la Trinité” pode avaliar por um lado a audácia de Ana Telles e imaginar a boa companhia de Joaquim dos Santos e o nível do seu “Prologus”. Esta é a última obra de uma bela lista de obras do ilustre bracarense apresentadas aqui em Roma e que justificam bem o reconhecimento de que já goza nos meios musicais. Já foram apresentadas e gravadas em CD numa edição do Instituto Português de Santo António: “Lamentationes Jeremiae Prophetae” (para barítono, coro e orquestra), “Santo António dos Portugueses” (cantata para barítono, coro e orquestra), “Sinfonia do Silêncio” (para barítono, violino e órgão), “Ricercare e Passacaglia” (para órgão), “Improvisação” (para órgão), “Dois motetes” da Semana Santa (para 4 vozes mistas), canções sobre textos de Miguel Torga (para 4 vozes mistas) e, finalmente, “Prologus”. Além de Roma, a sua música foi apresentada na República Checa e em outras zonas da Itália. Abrem-se possibilidades muito consistentes de Joaquim Santos ser ouvido em Paris e na Alemanha.

Quanto à pianista Ana Telles, cabe referir que tem o bacharelato em piano pela Escola Superior de Música de Lisboa, a Licenciatura pela Escola de Música de Manhattan e o Mestrado pela Universidade de New York com máxima classificação. Além de piano estudou música de câmara. Desde 1999 trabalha com a viúva de Messiaen e dele interpretou várias obras para piano e piano e orquestra com a Orquestra Metropolitana de Lisboa numa série de 16 concertos em 2000-2002. Como solista e membro de música de câmara, Ana Telles participou em concertos em Portugal, Cuba, Itália, Brasil e Estados Unidos. Realizou uma tournée em Taiwan com a Orquestra Sinfónica Nacional daquele país asiático. A sua dedicação ao estudo e interpretação de obras do difícil compositor Messiaen justifica-a pela paixão partilhada pelos pássaros (Les oiseaux).

A. Luís Esteves

Sexta-feira, 25 de Outubro de 2002

Diário do Minho

domingo, 31 de outubro de 2010

[2002.OUT.02] Barítono português canta Manuel Faria e Joaquim dos Santos | Diário do Minho

pontos de vista…

Na Roma Eterna, não na portuguesa…

Na igreja de Santo António dos Portugueses em Roma, teve anteontem lugar um concerto em que foram executadas músicas de dois compositores bracarenses: o Cónego Doutor Manuel Faria, falecido em 1983, e o Doutor Joaquim dos Santos, [felizmente vivo e presente aqui em Roma].

Em estreia mundial, o barítono José Carlos de Miranda, ligado a Braga por razões de estudo e de percurso de vida, interpretou a “Sinfonia do Silêncio” de J. Santos, obra para barítono, violino e órgão.

Giampaolo di Rosa, organista honorário da Igreja-mãe de Aprilia e professor de órgão e de improvisação na Escola de Artes do Porto da Universidade Católica Portuguesa, e Riccardo Bonaccini, violinista, ambos jovens, mas com uma carreira internacionalmente já consagrada, foram os acompanhantes da bela e forte voz de J. Carlos de Miranda.

Manuel FariaO concerto integrou as seguintes obras de Manuel Faria: “Ó sino da minha aldeia” e “Canção da vida” (textos de Fernando Pessoa"), “Jerusalém do Alto”, “Eu sei que o meu Redentor vive” e “Atei os meus braços”, que são verdadeiras árias, interpretadas mais que uma vez pelo J. Carlos de Miranda, em vários locais da Europa e, desta vez, acompanhado a piano ou órgão pelo Giampaolo.

O mesmo barítono interpretou duas árias de J. Rodrigues Esteves do “Stabat Mater”, uma ária do “Te Deum” de M. Portugal, a “Senhora do Almurtão” de C. Carneyro, “Fim há-de ter desgosto” de Lopes-Graça e a “Virgem Dolorosa” de Joly Braga Santos.

O Giampaolo executou em piano a II Suite inglesa em lá menor de Bach e o violinista Bonaccini executou a “Gavotta” de Bach.

Foi um concerto memorável por se tratar da estreia da “Sinfonia do Silêncio” com a presença do padre Joaquim Santos, acompanhado da sua irmã D. Maria.

A letra desta obra é uma poesia de Fernando Martins, sacerdote de Vila Real, nascido a 8.9.1930 e falecido a 30.1.1999 e que recebeu a influência de um sobrinho neto de Camilo Castelo Branco, o padre Luís Castelo Branco, que era pregador por aquelas regiões.

Eis a poesia:

Vai longa a noite, não vislumbro nada,
E a dura via-sacra continua.
Há só uma verdade nua e crua:
Não há Páscoa, nem rompe a madrugada.


Há, porém, cá no fundo, uma alvorada,
Invisível, em pleno Sol, na rua,
Mas palpável, pois fortemente actua,
Mesmo dentro de uma alma amargurada.


Tem sabor a Sexta-Feira Santa.
E, apesar desta dor ser tal e tanta,
Dá lugar para entrar na sinfonia
Do silêncio que tanta gente canta,
Com a voz atravancada na garganta,
Mas na esperança do Eterno Aleluia.

Este concerto com músicas de Joaquim Santos e Manuel Faria não é o primeiro. Desde Junho de 2000 já aqui se fizeram mais de seis concertos com músicas destes ilustres sacerdotes da Arquidiocese de Braga, por iniciativa do actual reitor da Igreja de Santo António, monsenhor Agostinho Borges, que foi aconselhado pelo Isaías Hipólito, ex-seminarista de Braga e ex-aluno do Doutor Joaquim Santos.

No próximo dia 22, nesta mesma igreja, escutar-se-á uma obra para piano de Joaquim Santos - “Prologus. Impressões sobre o Evangelho de São João”, executada pela pianista Ana Telles, doutoranda na Sorbonne na classe da viúva de Olivier MessiaPe. Dr. Joaquim dos Santosen, que interpretará seis peças para piano de Messiaen.

O concerto de ontem foi quase uma repetição do que acontecera no dia 18 deste mês em Aprilia, a poucos quilómetros de Palestrina. E veio-me à ideia o Doutor Manuel Faria que considerava Palestrina o músico que traduziu Trento em música, pai da polifonia vocal juntamente com J.S.Bach, luterano, pai da polifonia instrumental. Vejam bem: Manuel Faria, acusado por alguns de sectário e retrógrado, tinha uma hermenêutica musical ecuménica, católica-universal… A arte, e a música em particular, une o que os homens dividem e põem em oposição. E não foi Manuel Faria que orientou já nos anos recuados de 1978-1979 o Jorge Barbosa num trabalho sobre a Teologia da Música de Messiaen?…

Acrescento apenas que no dia 17 deste mês, ainda na igreja de Santo António, dois irmãos, Mauro e Álvaro Lopes Ferreira, tocaram violino e piano. São filhos de pais portugueses, mas vivem em Roma, e o Mauro até aqui nasceu. Na Roma Eterna há portugueses que se afirmam.

Infelizmente, tive que deslocar-me aqui para ouvir o que desejaria ouvir na Roma Portuguesa. Mas graças a Deus, no deserto das polémicas, no inverno das indiferenças, no inferno das hostilidades, experimenta-se o paraíso, ou uma antecipação, uma prolepse do que será o banquete escatológico.

Mas se o «banquete está pronto», pronto a ser servido, onde estão os primeiros convidados? «Era a vós que se destinava em primeiro lugar» o banquete, mas como o fastio vos tira a fome, a outros é dada a graça de se sentar à mesa. E «a sala encheu-se» e eu estava lá…

Aos alunos que me esperam, digo que estou a ler o “Mactub” de Paulo Coelho (uns contos sapienciais e didácticos a modo dos contos hassídicos) e “Verso Gerusalem” de Carlo Maria Martini, que tem – na palavra de um jornalista - «o perfil de um antigo profeta» e, para mim, a sabedoria de um santo e a santidade de um sábio…

PS – A imprensa local e nacional têm feito eco muito positivo a estes acontecimentos. Se fosse um jogo de futebol entre equipas portuguesas e italianas, haveria enviados especiais. Assim, «roba da matti»!… Arrivederci, da Roma.

A. Luís Esteves

Terça-Feira, 22 de Outubro de 2002

Diário do Minho

Capa de CD do concerto em questão!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Glosas 2 | A não perder!

Glosas 2
MPMP, movimento patrimonial pela música portuguesa com a presença de Edward Luiz Ayres d’Abreu e Manuela Paraíso
lançamento da revista glosas#2 (Biblioteca Nacional)
e breve recital em que se interpretarão obras de
Alfredo Keil, Croner de Vasconcellos e Ruy Coelho
interpretadas por
Raquel Camarinha, Duarte Pereira Martins, Philippe Marques
PROGRAMA
ALFREDO KEIL | 'Espoir', 'Angelus' e 'Souvenance'
VASCONCELLOS | 'Canção' e 'Siciliano'
Philippe Marques, piano
RUY COELHO | 'Chanson' e 'Dans la Jetée d’Alexandrie'
VASCONCELLOS | '3 Redondilhas de Camões'
ALFREDO KEIL | 'Adieu'
Raquel Camarinha, soprano; Duarte Martins, piano
CONTEÚDOS
~CORREIO DO LEITOR
~DISSONÂNCIAS: a opinião de perusio
~CASA MELOTECA: um sonho, um projecto, por António José Ferreira
~DEBAIXO DE OLHO
o que está a acontecer na música portuguesa, por Manuela Paraíso
~AGENDA DE CONCERTOS
ALFREDO KEIL
~acerca de uma pequena evocação no conservatório nacional
por Maria José Borges
~serrana
por Alexandre Delgado
~dona branca
por Luís Raimundo
~os hinos nacionais portugueses e a portuguesa
por Maria José Borges
~alfredo keil, pintor
por Maria de Aires Silveira
~alfredo keil, coleccionador
por Alexandre Andrade
~duas noites de lopes com arrepio keiliano
por Mário Alves e Maria Gil
~entrevista ‘na outra margem’
joão paulo santos | dona branca
por Manuela Paraíso
_________________________________________
~louis saguer: em defesa da música portuguesa por José Eduardo Martins
_________________________________________
entrevista | LA SPINALBA
na guildhall school of music & drama
por Alberto Sousa
_________________________________________
~marcos portugal: il matrimonio di figaro
por David Cranmer e Joana Seara
_________________________________________
entrevista | PAINT ME, ópera de luís tinoco
por Mónica Brito
_________________________________________
COMPOSITORES A DESCOBRIR
~nicolau ribas & família
por António C. K. de Bessa Ribas e João-Heitor Rigaud
O mpmp, movimento patrimonial pela música portuguesa, agradece a quem tenha contribuído para a concretização deste número da revista glosas: aos autores dos diversos textos, artigos, fotografias e ilustrações (Otto Solano, Perusio, António José Ferreira, Manuela Paraíso, Maria José Borges, João Gonçalo de Aguiar da Silva, Susana Guerreiro de Carvalho, Alexandre Delgado, Luís Raimundo, Maria de Aires Silveira, Alexandre Andrade, Mário Alves, Maria Gil, José Eduardo Martins, Alberto Sousa, David Cranmer, Joana Seara, Anthony Hall, Mónica Brito, José Pedro Cardeiro, António C. K. de Bessa Ribas e João-Heitor Rigaud), aos diversos entrevistados (João Paulo Santos, Clive Timms, Robert Howarth, Stephen Medcalf, Luís Tinoco), a Alice Costa, pela revisão dos textos e, pela disponibilização de fotografias de Alfredo Keil, a F. P. Keil Amaral e à Área de Música da Biblioteca Nacional.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nova publicação | Partituras | Stabat Mater

Esta nova publicação é referente a uma obra, Stabat Mater, que sofreu várias alterações ao longo de 14, 15 anos. A primeira versão foi composta para os recursos que Joaquim dos Santos dispunha na época de 1979, ou seja, coro e banda. Logo de imediato o autor realizou uma redução para canto e órgão e é essa que hoje se publica. Mais tarde, em 1994/1995 (?) a obra foi revista, aumenta e passada para orquestra. Ainda antes desta versão uma foi realizada, também, para banda mas com um complexo instrumental diferente do primeiro.

Esta obra, ao contrário da última publicada, foi apresentada várias vezes em diferentes locais deste país.

Espera-se que este novo material, agora oferecido a todos, possa ser uma ferramenta de trabalho interessante e importante… basta fazer download na página “Partituras”…

 

Stabat Mater

soprano solo, coro (SAATTB) e órgão

redução: 1980

por Joaquim dos Santos

 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Exposição | Música de Câmara de Joaquim dos Santos | Fim…

Com esta publicação, dá-se por encerrada esta espécie de Exposição digital, pretendente a ser uma amostra da realidade vivida entre Maio e Julho de 2009 no edifício dos Congregados da Universidade do Minho.

Um agradecimento a todos os alunos que colaboraram neste trabalho e um agradecimento à UMinho, na pessoa da Dra. Elisa Lessa, por permitir a utilização deste material.

UMinho 

image Joaquim dos Santos desenvolveu uma importante e vasta obra na área da música de câmara para os mais diversos conjuntos instrumentais.

A escolha eclética do conjunto instrumental presente na sua obra deve-se em parte à rápida resposta de Joaquim dos Santos aos pedidos que iam surgindo, dando origem a grupos de câmara pouco habituais. Rondó, para Violino, Flauta, Cordas Palhetadas e Percussão, é um bom exemplo disso. Composição sugerida por Carlos Carneiro, resultou, nas palavras do compositor, num complexo pouco usado na actualidade, na qual impera a singeleza rítmica, o colorido tímbrico e o fraseado expressivo.

De carácter imaginativo, caprichoso e sonhador e com um estilo harmónico ousado e contrastante dentro de uma forma musical livre (Preludio, Ricercare, Fuga e Finale), Pequena Fantasia, para Marimba e Órgão apresenta-se como uma obra ousada, na qual o compositor somente sugere a dinâmica e a agógica, deixando o restante ao critério dos intérpretes.

Algumas destas obras servem ainda de homenagem a outros compositores, uma vez que, apesar da sua escrita contemporânea, muito apreciava os compositores de outras épocas. Na sua obra Capriccio a Tre, para Flauta, Violino e Piano, dedicada a José Manuel Duque, escreve: Pretendo ainda, na singeleza destas páginas, homenagear CARLOS SEIXAS – excelente organista, cravista e compositor português – sobre quem DOMENICO SCARLATTI, instado a pronunciar-se acerca dos seus méritos cravísticos, terá dado um parecer extremamente lisonjeiro [Nota do autor na partitura de Capriccio a Tre]. Omaggio a Godoffredo Petrassi, é mais um exemplo de homenagem a compositores que o marcaram na sua produção musical.

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.

domingo, 10 de outubro de 2010

CCB | Sala Almada Negreiros | Hoje!

 

DGIDC 

Concerto nº 2 | Sala Almada Negreiros | 11.30

Companhia da Música

Joaquim dos Santos & Cândido Lima

 

Programa de todos os eventos (p. 16)

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um rouxinol & Minha Mãe | Joaquim dos Santos | Coro Juvenil da Companhia da Música

4.ª EDIÇÃO DA FESTA DAS ESCOLAS DE MÚSICA 
1001 MÚSICOS 2010  

Pelo quarto ano consecutivo, e repetindo o sucesso das edições anteriores, o CCB associa-se ao Ministério da Educação para a concretização da grande jornada musical denominada 1001 MÚSICOS.

10 Out 2010 - 10:30

GRANDE AUDITÓRIO / SALA ALMADA NEGREIROS / SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER

ENTRADA LIVRE

Trata-se de um encontro entre escolas e orquestras, alunos e professores, crianças e adultos, artistas e organizadores (e público), que tem por objectivo promover a troca de experiências, a mostra de talento e a partilha do gosto pela música.

UMA INICIATIVA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO COM A COLABORAÇÃO DO CCB

 

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domingo, 26 de setembro de 2010

Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX | P - Z

EMPXX - P-ZNo passado mês de Julho foi publicada a 1ª edição do quarto e último volume da Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX (P-Z).

Podemos encontrar neste volume uma pequena entrada sobre o Maestro Joaquim dos Santos realizada por Manuel Pedro Ferreira. Uma pequena entrada com a informação necessária para se começar a conhecer esta personalidade simples e com obra feita.

Naturalmente, uma obra desta envergadura nem sempre consegue abarcar, com a precisão que se gostaria, todas as matérias de cada personalidade mas ficam os reparos para quem de direito e espera-se que numa próxima edição tudo seja ainda melhor.

A Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX é uma obra composta por 4 volumes.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Ançã-ble em Concerto | Domingo, dia 19 de Setembro de 2010

No próximo Domingo, o Grupo Vocal Ançã-ble apresenta-se em concerto, às 21.30, na Igreja de Santo António dos Capuchos (Guimarães) no âmbito do II Festival Internacional de Órgão Ibérico 2010.

A essência do programa passa pela descoberta de um compositor português da segunda metade do século XVII – Manuel Martins Serrano mas não findará sem que a lógica do programa nos guie até à majestosa obra Carmen Fatimale do Pe. Joaquim dos Santos. Obra para coro misto e orquestra aqui apresentada numa redução para órgão.

 

Carmen Fatimale, poema de Fátima

Domingo, dia 19/09/2010

Igreja de Santo António dos Capuchos – Guimarães

21h30m

Entrada: 5€

 

Santa Casa da Misericórdia de Guimarães

Grupo Vocal Ançã-ble

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Novo site | IPSAR - Órgão

Como vem sendo costume, o Instituto Português de Santo António em Roma tem lugar marcado nas linhas deste blog dedicado ao Pe. Dr. Joaquim Gonçalves dos Santos e é nesse segmento que se dá a conhecer um novo site, da referida instituição, inteiramente dedicado ao esplêndido instrumento que todas as semanas louva com cânticos de jubilo…

 Mascioni op. 1181

http://www.ipsarorgan.org/

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Obras de Música Sacra de Joaquim dos Santos | Exposição

A Musica Sacra ocupa um lugar de destaque na obra de Joaquim dos Santos, muito em parte, pela sua vida dedicada ao sacerdócio. O compositor afirmou que em toda a música que escrevia punha a alma de sacerdote.

Joaquim dos Santos iniciou-se na composição ainda na altura que frequentava o seminário onde escreveu vários cânticos para a música litúrgica e uma Cantata a Santa Cecília.

São variadas as técnicas que utiliza para evidenciar a beleza, a forte expressividade ou mesmo a dramaticidade das palavras. A alternância entre execuções instrumentais e execuções à capella, solistas e corais é muito frequente, assim como a declamação sobre uma nota com ou sem suporte instrumental e com ou sem referência rítmica.

De um vasto legado de música sacra que nos deixou, destaca-se o Oratório Travessia: Aquela que poderá constituir uma espécie de auto-retrato mais perfeito e acabado […] será o oratório Travessia, para 2 solistas, coro e orquestra, com o texto do Senhor Bispo de Vila Real, D. Joaquim Gonçalves. Trata-se de uma composição de grande fôlego, (são 639 páginas de Orquestra distribuídas em 3 volumes), com um argumento muito belo, e servidas, julgo eu, por uma linguagem extremamente actual [Joaquim dos Santos in Diário do Minho, suplemento da edição n.º 27849, 1 de Agosto de 2007].

Um tema que sempre fascinou Joaquim dos Santos, sobretudo pela sua carga emotiva, foi o tema da Paixão, despertado nos tempos do seminário, quando assistia às cerimónias da Semana Santa na Sé Catedral de Braga. Este fascínio deu origem à criação de três obras emblemáticas na sua produção musical. A primeira, para leitores, quatro vozes mistas e órgão foi escrita em 1977, a pedido do conterrâneo P. Fernando Pereira de Castro com texto em vernáculo do Evangelista S. Mateus, e destina-se à liturgia. A Passio et mors Domini Nostri Jesu Christi secundum Lucam, solicitada pelo Professor Doutor João Duque para ser executada no ano de 1999 em Fátima, é o culminar de um antigo e lindo sonho, há muito acalentado por Joaquim dos Santos. Os textos são retirados de S. Lucas e S. João, surgindo paralelamente hinos e salmos, impropérios e antífonas, parte da sequência Stabat Mater e uma passagem das Lamentações do Profeta Jeremias que fazem o contraponto, a moldura e o comentário às várias passagens do Evangelho. Inspirado na Paixão segundo S. Lucas, para solistas, quatro coros e orquestra, de Penderecki, foi desta obra que retirou o material que havia sido coligido e seleccionado por teólogos de renome. Desde os contrastes harmónicos, rítmicos ou dinâmicos, ao discurso narrativo, ao diálogo, à oração humilde e confiante, ao louvor mais alto e solene, à melancolia e candura feitas de singeleza e encanto, … a música aí está toda ela, em melodias, acordes ou agregados sonoros, tonal ou atonal, a servir tão belos e nobres textos que nos relatam e comentam a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Devido à sua complexidade e extensão, destina-se apenas a ser executada em concerto.

A última Paixão, segundo S. João, para três solistas, coro a três vozes mistas, órgão e violoncelo, é uma das últimas obras do compositor, datada de Janeiro de 2008. Com texto em vernáculo, pode igualmente usar-se na liturgia. Dedicada ao seu amigo Nuno Costa, foi também ele quem a solicitou, pedido ao qual o compositor respondeu com agrado, gosto e entusiasmo, procurando realçar o dramatismo do texto através da linguagem musical.

Dedicada à Orquestra de Câmara do Distrito de Braga e estreada em Setembro de 1994, Lamentationes Jeremiae Prophetae, cantata para coro, solistas e orquestra, constitui mais uma obra chave da música sacra de Joaquim dos Santos. Os temas gregorianos são, simultaneamente, o ponto de partida da composição e o material que lhe confere unidade e coesão. O tratamento do texto bíblico expressa o conteúdo profundamente dramático das Lamentações do profeta Jeremias.

Te Deum Laudamus, para coro, quatro vozes mistas e Orquestra, e Ecce Sacerdos Domus Domini Tantum Ergo, para coro e orquestra, são duas obras de musica sacra escritas para a celebração das Bodas Sacerdotais do Senhor Arcebispo de Braga, D. Eurico Dias Nogueira, a quem o compositor as oferece, dedica e consagra. Além destas obras, escreve também as Quatro canções para Flauta, Trompete, canto e piano.

Após a estreia da Noiva do Marão, na Igreja de Santo António dos Portugueses, o compositor inicia a composição da cantata Santo António dos Portugueses, para barítono solista, coro e orquestra, onde os vários intervenientes […] desempenham o seu papel com invejável dignidade. A narração encontra-se distribuída pelo solista e pelo coro quebrando uma possível monotonia. A orquestra apresenta, acompanha e tece os seus comentários ao texto através de sonoridades imponentes e majestosas, numa obra em honra de Santo António, simultaneamente português e italiano.

Foi longa, muito longa, dolorosa e difícil a caminhada [Joaquim dos Santos].

Assim se inicia a nota à grande obra Stabat Mater, para coro a quatro vozes e orquestra. O autor descreve esta sua obra como um quadro de cores contrastantes onde os diversos temas, as harmonias e os ritmos caprichosos se entrelaçam, e onde o inesperado vai rigorosamente surgindo. Articulam-se estas páginas num Andante Maestoso e Solenne, Piu Mosso ou Sostenuto, mas sempre Maestoso e Tranquillo como a Mães, junto à cruz de seu filho, no cimo do Calvário ….

Entre as várias missas que compôs destacamos a primeira, Missa Simples, para coro a duas vozes mistas e órgão que data de 1976. A esta seguem-se mais três obras: Missa Nova (1978), para coro a três vozes mistas e órgão, Missa Fácil, para coro a três vozes mistas e órgão (1982) e Missa em Honra de Nossa Senhora da Conceição, para três vozes mistas e órgão (1998).

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.

Sites & Blogs | Música Sacra

Por curiosidade, eis aqui alguns sites que divulgam a música sacra do Pe. Joaquim dos Santos…

Meloteca

 http://www.meloteca.com/musica-sacra.htm

 

O canto na liturgia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 http://ocantonaliturgia.blogspot.com/search/label/Joaquim%20dos%20Santos

 

Música Litúrgica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

http://musica-liturgica.net/index.pl

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ECOS DE ORGÃO 2010 | Concerto(s)

CONVENTO DE SANTA MARIA DE SEMIDE
Miranda do Corvo

O Convento tem cerca de 10 séculos de história, era inicialmente uma casa masculina que foi convertida em convento feminino em 1183, sendo a sua 1ª Abadessa D. Sancha Martins, descendente de Martim Anaia que foi quem concedeu a 1ª carta de povoamento a Semide. Desta primeira fase do convento parece já nada existir, a Igreja que hoje permanece é seiscentista e estaria concluída 1697. Ao longo do tempo foi tendo várias campanhas de obras que a foram enriquecendo com diversos estilos arquitectónicos e decorativos, entre eles o barroco e o rococó. Foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1993, por Decreto publicado em Diário da República em 30 de Novembro.


Órgão
É de carácter Ibérico I / (14+14) com 5 corpos de tubos, situa-se na parede do fundo, no coro, exibe uma caixa de estilo rococó, atribuindo-se a sua construção a António Xavier Machado e Cerveira em 1796. Em 2007 foi restaurado pelo organeiro Manuel Dinarte Machado.

12 de Setembro 17H30
Organista
Tadeu Filipe
Programa
António Correa Braga (Séc. XVII) Batalha do 6º tom
Andrés de Sola (1634 - 1696) Tiento de medio registro de mano derecha de 1º tono
Pablo Bruna (1611-1679) Tiento de falsas de 2º tono
John Stanley (1713 - 1786) Voluntary in G (op. 7 nº 9)
Felix Maximo Lopez (1742-1821) Verso de 2º tono
Friedrich Wilhelm Zachow (1663 - 1712) Choral “ Veni Sancte Spiritus ”
Matthias van den Gheyn (1721 - 1785) Fugue
Joaquim Santos (1936 - 2008) Preludio, Ricercare e Corale
Carlos Seixas (1704-1742) Sonata em ré menor
Frei Jacinto do Sacramento (1712 - ?) Toccata em ré menor
Carlos Seixas (1704-1742) Sonata em lá menor
Fray José de Larrañaga (1728-1806) Sonata de 5º tono

Ver Fonte

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Missa Nova | Joaquim dos Santos

“Para Vós, Senhor, a minha vida inteira” – assim aconteceu com o Maestro Joaquim dos Santos.

Assinalam-se hoje 48 anos sobre a Missa Nova do Pe. Joaquim dos Santos. Foi em Fátima, na Capelinha das Aparições…

 

domingo, 22 de agosto de 2010

Ide por todo o mundo | cântico

Em 1991 foi publicado o número 59 da segunda série da NRMS. Mais um número que transporta em si a beleza de uma pedra preciosa.
Ide por todo o mundo é feito de pequenas agruras e doçuras que, no seu conjunto, dão lugar a uma grande peça de música sacra. É esta a mestria do Dr. Santos: com recursos que às nossas mãos parecem limitados dá intemporalidade musical aos versos já por si intemporais. Ouçam-se as “ousadas” estrofes e perceba-se onde chega a Arte do Pe. Joaquim dos Santos.



Um lirismo musical que bem pode qualificar, com boa música, a vida das Assembleias deste país. Cântico editado também pelo Serviço Nacional de Liturgia – Cânticos de Entrada e Comunhão I (pág. 156 e 157).

Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho.
Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos,
diz o Senhor.

Hei-de falar do vosso nome aos meus irmãos,
hei-de louvar-Vos no meio da assembleia.
Vós que temeis o Senhor, louvai-O,
glorificai-O, vós todos os filhos de Israel.

Para ele viverá a minha alma,
há-de servi-l'O a minha descendência.
Falar-se-á do Senhor às gerações futuras
e a sua justiça será revelada ao povo que há-de vir.

Interpretação do Grupo Vocal Ançã-ble. Direcção de Pedro de Miranda.
Gravado nas Semanas de Intensidade Musical de Rio Longo - 2008

sábado, 21 de agosto de 2010

Inusual combinación | 19º XIX FESTIVAL INTERNACIONAL DE ÓRGANO CATEDRAL DE LEÓN | 28.09.2002

No ano de 2002 assim foi acontecendo por alguns locais da Europa! Falamos da obra Pequena fantasia para marimba e órgão…

Nadie puede decir que en esta decimonovena edición del Festival Internacional de Órgano Catedral de León no se están dado cita los estilos más diferentes y las música más vanguardistas junto a otras de incuestionable tradición que hacen de este festival algo vivo, cambiante y novedoso. La actuación que esta noche, a las 22.00 horas, nos propone el Dúo Jargg para el cuarto concierto en la Catedral es sin duda una de las más rompedoras y actuales al contar con marimba y órgano una combinación que sin duda atraerá la atención de cuántos sigamos de cerca este concierto en el que se incluyen obras de Jargg, Dos Santos, Bach, Tañer, Listz-Guillou y Puértolas. Giampaolo Di Rosa, órgano y Joan Marc Pino I Arasa, marimba son los dos intérpretes que hoy producirán nuevas sonoridades en el primer templo leonés, como preámbulo del que mañana escucharemos en el mismo lugar de órgano y trompeta. El dúo Jarrg, cuyo nombre esconde una simbología referente a Bach, es un binomio polivalente entre la Marimba y el Órgano que nace del encuentro de dos músicos interesados en los aspectos más innovadores y técnicamente evolucionados de los dos instrumentos, con el fin de poder tocar y divulgar un repertorio nuevo e inexplorado. Giampaolo di Rosa, pianista, organista y clavicembalista, tras haber obtenido el título superior de Piano con las máximas calificaciones en el instituto Santa Cecilia de Roma y el de Órgano y Composición Organística en San Pedro a Majella de Nápoles, inicia su perfeccionamiento organístico en la Hochschule de Würzburg con el profesor G. Kauzinger, donde actualmente cursa la Diplomatura en Clavicembalo. Asimismo estudia con el Maestro Jean Guillou del que interpreta habitualmente sus obras para órgano. Ha ofrecido numerosos recitales como solista tanto de piano como de órgano y especialmente en formaciones camerísticas. Es Director Artístico del Ottobre Organistico Apriliano y de la Rassegna Organistica di Roccamassima. Actualmente es organista titular de la St. Laurentius Kirche en Würzburg y de la Iglesia Arciprestal de S. Michele Argangelo y Santa María Goretti en Aprilia. Joan Marc Pino i Arasa nació en Amposta, donde comenzó sus estudios musicales. Obtuvo el Título Superior de Percusión en el Conservatorio Superior de Música de Barcelona bajo la dirección de Santiago Molas y F. Xavier Joaquim.En 2001 consigue el Meisterklassendiplom de la Hochschule für Musik Würzburg con el profesor Mark Lutz. Ha sido galardonado con el Premio de Honor de Grado Medio y Superior de Percusión, Primer Premio en el concurso de Juventudes Musicales de España (1997), Segundo Premio de Música de Cámara de la Musicalischen Akademie Würzburg con el grupo Tree-o, y Forderpreis en el Junge Klustern Ingolstadt. De su actividad profesional destaca la participación como percusionista solista en las obras de Carlos Santos: Figasantos-Fagotrop, Missatge al Contestador Soparem a les Nou, L''Esplèndida Vergonya del Fet Mal Fet, Homenatge a Joan Fuster, y L''Adéu de Lucrecia Borja, actuando en España, Francia, Alemania y Suecia. Fue timbalero de la Jove Orquestra Simfònica de Catalunya y seleccionado por la Generalitat de Catalunya para ser también timbal solista de la Interregionales Orchester. Dos compositores, J. Dos Santos (Portugal) y Pere Josep Puértolas (España), han escrito especialmente para Jargg, contribuyendo así a crear un repertorio de música actual para Marimba y Órgano.

Fonte

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Parituras

À semelhança do que aconteceu há uns dias, hoje abre-se uma nova página neste blog.

Esta tem a ousadia de ser dedicada em exclusivo à publicação de obras para coro e orquestra mas em forma de redução para coro e órgão (ou piano).

O objectivo desta página, tal como é descrito na mesma, passa pela divulgação de obras que doutra forma permaneceriam na sombra.

Abre-se esta “colecção” com um belíssimo Tantum ergo composto em Outubro de 1994. Ao que tudo indica foi estreado em Novembro do mesmo ano na cidade de Braga. A forma coral da obra não deixa de evidenciar, mais uma vez, a mão especial que Joaquim dos Santos tem para trabalhar nesta forma tão majestosa – o Coral. Uma bela composição que fica agora ao alcance de todos.

A publicação de partituras nesta página será feita de acordo com a disponibilidade existente para trabalhar cada obra!

Com cada partitura será publicada uma maqueta áudio para que se possa ter uma ideia mais abrangente da peça. Neste caso é a seguinte:

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Exposição | Obras de Inspiração Popular de Joaquim dos Santos

image Tal como outros compositores que marcaram o panorama musical português do seu tempo, Joaquim dos Santos também procurou as raízes da música popular portuguesa, recriando-a através das suas harmonizações.

A partir de 1968, ano em que regressou a Portugal vindo de Itália, levou a cabo uma recolha de etnografia musical centrada nas zonas de Basto, Ribeira de Pena e Montalegre, contactando pessoalmente com os habitantes. Deste contacto promovido ao longo de vários anos resultou uma recolha bastante rica de canções que narram o quotidiano das populações e que se vão perdendo na memória. A este trabalho sempre se dedicou com empenho, tendo afirmado: Considero ser urgente conhecer e divulgar um repertório que corre risco de se perder no tempo [in Simões, Carla, Joaquim dos Santos, um Compositor no Panorama Musical Português Contemporâneo, Instituto de Estudos da Criança, Universidade do Minho, Abril de 2009].

Deste importante trabalho de recolha etnográfica musical nasceram as harmonizações para três ou quatro vozes, para execução a cappella ou com acompanhamento de instrumentos de sopro e percussão, de várias canções populares, algumas delas incluídas na sua obra Rapsódia Campestre. Aquando a composição desta obra, e a par da harmonização, o compositor procedeu a uma orquestração para um complexo instrumental constituído por metais, palhetas e precursão, mas o qual é prescindível. As canções são fruto da recolha etnográfica na zona de Basto tal e qual os antigos as executavam, tanto na melodia como no texto.

Além destas harmonizações de canções populares para vozes, Joaquim dos Santos transpôs várias melodias populares para conjuntos instrumentais, como acontece em Cantiga de S. João, quadro rústico para 12 metais e tímpanos. Canção originária de Vilarinho das Furnas situa-se no campo da polifonia popular, com entrada sucessiva das vozes e com sequências de quintas paralelas, completamente respeitadas pelo compositor. À volta do tema surgem outras ideias musicais emoldurando, com pinceladas de ingenuidade, candura e muita alegria … um quadro rústico bem próprio das gentes da linda e encantadora província do Minho [Nota de Joaquim dos Santos na partitura].  

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.

 

4 canções populares portuguesas [hiperligação] (capa CD frente & verso]

Rapsódia campestre [hiperligação]

domingo, 8 de agosto de 2010

Discografia

Como facilmente se pode verificar, a partir de hoje este blog tem mais uma página. Página essa que é dedicada, em exclusivo, à discografia que visa a obra do Pe. Joaquim dos Santos. Todos os números abordados na página Discografia dizem respeito ao Instituto Português de Santo António em Roma. Outras edições há, de produção nacional (raríssimas), que, a seu tempo tomarão o devido lugar na mesma página.

Agradece-se a quem puder colaborar com a indicação de gravações feitas em Portugal. Contacto: casadacasinha@gmail.com

sábado, 7 de agosto de 2010

para ouvir aqui no blog… | Marimba & Órgão | Pequena fantasia

 

“Esta Pequena Fantasia para marimba e órgão nasce, curiosamente, duma proposta que me foi apresentada por um amigo meu, português, residente em Roma para que um organista italiano e um percussionista espanhol viessem a executá-la, brevemente, na Alemanha.

Chamei-lhe Fantasia pelo seu carácter imaginativo, caprichoso e sonhador, aliado a um estilo harmónico algo ousado e contrastante, dentro duma forma musical – com Prelúdio, Ricercare, Fuga e Finale – de carácter francamente livre. (…)” [Joaquim dos Santos, nota introdutória à obra]

 

 

Aqui ficam as palavras e a música do Maestro…

 

Composição com a data de finalização a 2 de Fevereiro de 2001.

Gravado ao vivo na Igreja de Santo António dos Portugueses em Roma no dia 18 de Outubro de 2001; Joan Marc Pino I Arasa, marimba; Giampaolo Di Rosa, órgão

Captação áudio de Antonio Cenciarelli; vídeo de Cipriana Pinto; mistura de Nuno Costa

ver evento em IPSAR

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Exposição | Obras de Joaquim dos Santos com Textos de Autores Portugueses

A relação da palavra com a música, muito estreita ao longo de toda a história, é também retratada na obra de Joaquim dos Santos.

Nos seus 5 Poemas de Miguel Torga, para coro a quatro vozes mistas e dedicados à Capella Bracarensis, esta relação é perfeita. Para salientar o que foi dito, cita-se a nota do autor na partitura: Que estas páginas, onde o inesperado sonoro ou rítmico, com suas imagens e emoções vai acontecendo, emoldurando em dramatismo e encantamento, sejam um verso perfeito. Que traz consigo a força do que diz»…

Na sua obra Vem, para coro feminino e órgão (mais tarde orquestra), escrita por altura do centenário da morte de Ana Plácido, Joaquim dos Santos coloca em música as palavras da poetisa:

Vem luz pura, luz divina

Anseio, chamo por ti;

Para o eco me ressuscita

Que eu para o mundo morri.

(9 de Março de 1860)

Apresentada em duas versões, a primeira para duas ou três vozes e a segunda para três ou quatro vozes, emerge a linguagem contrastante e expressiva de romantismo e atonalidade, tratando-se de autêntica música religiosa na qual os gritos de angustia são abafados pelos da fé e da esperança.

Sobre a temática de Fernando Pessoa, um autor de vulto no panorama literário português, Joaquim dos Santos compôs Nocturno, para voz recitante, flauta e piano, uma obra onde os acidentes adjectivam a frase e as agressivas dissonâncias incitam a meditação e o drama, a melancolia, o sonho e a saudade como o profundo, escuro e distante murmúrio de infinito e salgado mar….

Sobre um poema musical de um poema de Castro Gil, O Sonho de um Castelo é uma leitura profundamente pessoal do compositor, dedicada ao autor do poema, Amadeu Torres (Castro Gil). Esta música não é descrição, retrato ou pintura que eu fiz, mas antes um registo sonoro das ideias, imagens e impressões que a mesma poesia despertou em mim e me impeliu a escrever estas notas.

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.