sexta-feira, 30 de julho de 2010

Exposição | Obras de Joaquim dos Santos com Textos de Autores Portugueses

A relação da palavra com a música, muito estreita ao longo de toda a história, é também retratada na obra de Joaquim dos Santos.

Nos seus 5 Poemas de Miguel Torga, para coro a quatro vozes mistas e dedicados à Capella Bracarensis, esta relação é perfeita. Para salientar o que foi dito, cita-se a nota do autor na partitura: Que estas páginas, onde o inesperado sonoro ou rítmico, com suas imagens e emoções vai acontecendo, emoldurando em dramatismo e encantamento, sejam um verso perfeito. Que traz consigo a força do que diz»…

Na sua obra Vem, para coro feminino e órgão (mais tarde orquestra), escrita por altura do centenário da morte de Ana Plácido, Joaquim dos Santos coloca em música as palavras da poetisa:

Vem luz pura, luz divina

Anseio, chamo por ti;

Para o eco me ressuscita

Que eu para o mundo morri.

(9 de Março de 1860)

Apresentada em duas versões, a primeira para duas ou três vozes e a segunda para três ou quatro vozes, emerge a linguagem contrastante e expressiva de romantismo e atonalidade, tratando-se de autêntica música religiosa na qual os gritos de angustia são abafados pelos da fé e da esperança.

Sobre a temática de Fernando Pessoa, um autor de vulto no panorama literário português, Joaquim dos Santos compôs Nocturno, para voz recitante, flauta e piano, uma obra onde os acidentes adjectivam a frase e as agressivas dissonâncias incitam a meditação e o drama, a melancolia, o sonho e a saudade como o profundo, escuro e distante murmúrio de infinito e salgado mar….

Sobre um poema musical de um poema de Castro Gil, O Sonho de um Castelo é uma leitura profundamente pessoal do compositor, dedicada ao autor do poema, Amadeu Torres (Castro Gil). Esta música não é descrição, retrato ou pintura que eu fiz, mas antes um registo sonoro das ideias, imagens e impressões que a mesma poesia despertou em mim e me impeliu a escrever estas notas.

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Estes e outros artistas que executaram obras de Joaquim dos Santos (…) recordam como na vida do Maestro música e amizade andassem a par: tantas amizades nascidas através da música e tanta música inspirada pelas amizades. A generosidade que o distinguia transpunha-se para a pauta.

in “Já sou apenas Som” – Francisco Dias

terça-feira, 20 de julho de 2010

Antologia de poemas de Mário Garcia, S.J. | Homenagem a Manuel Faria por Joaquim dos Santos

No dia 17 de Setembro de 2002, Joaquim dos Santos terminava mais um importante ciclo de peças corais para 4 vozes mistas a cappella. A obra compreende sete poemas que têm em comum a temática da música (excepto o primeiro). Ao longo das suas 69 páginas, a música tem os mais diversos desenvolvimentos e a invulgaridade rítmica dos versos trespassa para a partitura, como seria de esperar de um compositor que defende a palavra acima de tudo.

A obra nunca teve uma apresentação integral. Os números mais apresentados em público são “A Dança das algas”, “Ave Marítima” e “Suite para instrumento solo” mas ainda faltam “Tempo di Roma”, “Cantabile sotto voce”, “Orfeu” e “Viagem”.

No total temos:

Tempo di Roma | Cantabile sotto voce
A Dança das algas | Ave Marítima;
Orfeu | Viagem | Suite para Instrumento solo

Disponível no youtube, existem duas gravações. Uma da responsabilidade da Cappella Bracarensis e a outra, que hoje se dá aqui a conhecer, do Grupo Vocal Ançã-ble (Coimbra). Esta última vem do blog http://oceudosantigos.blogspot.com/.

Ave Marítima (e não avé marítima…)

Do livro de Mário Garcia, “Entre as Águas” – Braga, ed. APPACD, 1994, p. 53

Como costumo escrever, com todo o respeito que isso implica, gravado amadoramente mas muito bem gravado. Um bem-haja aos Miranda’s.

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sexta-feira, 16 de julho de 2010

Matilde Rosa Araújo | “A poesia da infância” |1921 - 2010

É assim que hoje evoco a escritora que em tempos, com a sua arte, inspirou a arte de outro escritor, este último, escritor de sons…

A evocação dos seus nomes para qualquer tipo de homenagem só fará sentido quando se evocar, simultaneamente, a sua obra. Viveram na arte e para a arte, a morte, novamente e perpetuando-se este ciclo, é a negação da própria morte, pois estão para sempre na obra que nos ofertaram.

 

fotos no dia do lançamento de “Sons p’rá Guitarra da Boneca” em Cabeceiras de Basto [22 de Maio de 2005] – Foto Universal, Cabeceiras de Basto

"Os olhos do meu cão" [7] "Um rouxinol" [5] "A andorinha" [3]

Intérpretes

Coro Cantata

Elsa Marisa Amorim piano

Carla Simões direcção

Gravação realizada no Auditório Adelina Caravana do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga por Serafim Barreiro (técnico) e Carlos Meireles (assistente).

Artigo relacionado (Sons p’ra guitarra da boneca)

 

Vivi décadas do século passado século, como se calcula. E, nesse século, pude olhar dois momentos da História que me deslumbraram. Uma alegria que Beethoven na sua ode nos entregara para sempre, maravilha de sons que aconteceu. Pungente. Viva. Um desses momentos foi o fim da Segunda Guerra Mundial. A paz no Mundo na qual eu acreditei para sempre. Soava a Alegria como água pura da nascente. Branca luminosa. Outro momento foi o 25 de Abril. Depois de um tempo de silêncio, de silêncios, com vozes heróicas ou caladas, nós íamos acreditar num país de fraternidade, sem arma de agressão. País sonhado há tanto. De justiça e paz. E hoje? ‘Pelo sonho é que vamos’, como disse Sebastião da Gama.

in autobiografia publicada a 26.04.2006 no Jornal de Letras

Matilde Rosa Araújo | 20 de Junho de 1921 – 6 de Julho de 2010

Exposição | Discografia – Trabalhos de Licenciatura | expositor 11 & 12

Sem textos, mas com imagens… Dois simples expositores: o 1º dedicado a alguma discografia que visa obras do Maestro Joaquim dos Santos; o 2º dedicado a alguns trabalhos escritos sobre o mesmo Maestro!

Discografia 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Trabalhos no âmbito da licenciatura

segunda-feira, 12 de julho de 2010

2 anos de_www.maestrojoaquimdossantos.blogspot.com

A aventura continua e hoje, precisamente hoje e no mesmo local, contam-se dois anos desde que esta caravela partiu guiada por sinais…
Dois anos que, no subconsciente ou noutro local desses ao qual não me parece que se chegue com facilidade, procuram “(…) dizer que a morte de Joaquim dos Santos é a negação da própria morte. É-o para os crentes, para aqueles que o conheciam como padre e homem de crença profundamente cristã, comungando com ele a fé na vida eterna, a verdadeira vida que alcançamos depois da vida. Como também o é para os que não crêem, mas que o recordam como maestro de uma obra musical ímpar, prolífica e cheia de uma qualidade inspirada, de uma qualidade intocada, de uma qualidade verdadeiramente artística e excelente.” (Francisco Dias, IPSAR)

Joaquim dos Santos, Doutor Joaquim dos Santos, Padre Joaquim dos Santos, Maestro Joaquim dos Santos, permanece assim na memória e nas orações, e a sua obra, como a sua fé, granjeiam-lhe a eternidade.

Um grande obrigado a todos que, ao longo deste tempo, conhecem e seguem maestrojoaquimdossantos.blogspot.com

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Encontro Anual de Grupos Corais Litúrgicos do Arciprestado de Fafe | 9 & 10 de Julho

Nos dias 9 e 10 deste mês, em Fafe, vai realizar-se, integrado nas festas da Srª de Antime, o "Encontro Anual de Grupos Corais Litúrgicos do Arciprestado de Fafe", onde, naturalmente, se interpretarão peças do Pe. Joaquim dos Santos.

Participam 11 Grupos Corais distribuídos pelos dois dias.

Agradecimento ao Coral de Antíme pela informação.

domingo, 4 de julho de 2010

há um ano.. | UMinho | Ciclo de Concerto… 4 Julho 2009

Há um ano, a UMinho findava a primeira fase do evento In Memmoriam com um concerto dedicado a obras para instrumento solo e orquestra do Pe. Joaquim dos Santos.

Foram tocados os concertos para violoncelo e orquestra (estreia nacional); violino e orquestra e a Fantasia para fagote e orquestra de cordas. Os intérpretes, respectivamente, foram Marco Pereira, Eliot Lawson e Lurdes Carneiro acompanhados pela Orquestra de Universidade do Minho sob direcção do Maestro Vítor Matos.

Um concerto de nível muito bom que apenas pecou pela falta de mais um percussionista permitindo, com ele, a execução de todas as passagens escritas que os concertos obrigavam.

Fantasia_fagote e orquestra de cordas/interpretação de Lurdes Carneiro e Vítor Matos/gravado ao vivo no Grande Auditório do Parque de Exposições de Braga – 04.07.2009

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