domingo, 29 de novembro de 2009

Advento… | Povos que caminhais | NRMS 64

Com o último fim de semana de Novembro chega o Primeiro Domingo do Tempo de Advento. Para aqueles que visitam este blog e têm responsabilidades musicais na liturgia, aqui fica uma sugestão de cânticos que podem ser utilizados nos próximos Domingos do Advento. Não será necessário dizer que todos são da autoria do Pe. Dr. Joaquim dos Santos…

Para quem visita este blog e não têm nada a ver com a música litúrgica ou então não professa qualquer Credo… aqui fica uma peça do repertório sacro português que apela, com certeza, a uma meditação pessoal…

Povos que caminhais | 4 v.m e órgão | NRMS 64 | 1992

Desnecessário dizer mas… Tenho especial adoração por tal pérola perdida no meio milhares de composições portuguesas destinadas à liturgia…

Outros cânticos do Pe. Joaquim dos Santos para o Advento:

Abri os corações NRMS 35 | Aclamai o Senhor, terra inteira NRMS 48 | Aclamai o Senhor, terra inteira NRMS 98 | Desça o orvalho NRMS 15 | Eis o dia que o Senhor fez NRMS 17 | Exulta, ó Filha de Sião NRMS 68 | Exultemos de alegria no Senhor NRMS 56 | Na terra se fez carne NRMS 31 | Nós temos em Sião NRMS 42 | Sem pecado concebida NRMS 118

Há mais publicados na NRMS!

Não posso esquecer de fazer uma enorme referencia e vénia ao grupo vocal Ançã-ble que, ao longo de vários anos, tem apresentado em público muitas obras do nosso Maestro e tem feito estas gravações, às quais chamo com muito respeito, caseiras e que nos permitem ter uma ideia imediata desta música que encerra em si muitas surpresas…

Outras gravações Ançã-ble:

Senhor Jesus Cristo | Nasceu o sol da Páscoa | Confesso o meu pecado (Quaresma) | Um dia Sagrado (Natal) | Largada | Tormenta | Rapsódia Campestre | Canção de Embalar (Zeca Afonso)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Pedidos de obras…

Como foi anteriormente dito, pedidos de obras ou informações acerca do Pe. Dr. Joaquim dos Santos apenas através do e-mail vinculado a este blog: casadacasinha@gmail.com (referenciado na coluna do lado direito do blog).

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Hino da Senhora dos Milagres…

Das várias pesquisas que vou fazendo pela internet, vou descobrindo alguma informação com referências a trabalhos do nosso Maestro… Aqui fica outro:

O Santuário da Senhora dos Milagres, na freguesia de Cambeses, no concelho de Monção, viveu ontem uma jornada de fé e cultura com a realização do “Encontro Mariano”, um dos momentos que assinalam o IV centenário da sua fundação.

Mais de 120 pessoas dos grupos corais de Monção-Pinheiros, Moreira, Pias e Milagres-Mazedo, de pontos diferentes da freguesia dirigiram-se a cantar os “Romeiros da Senhora dos Milagres” para o Santuário onde, em apoteose, acompanhados por um grupo de metais interpretaram em primeira audição o novo “Hino da senhora dos Milagres”, com letra do padre João Porto Soares e música do bracarense padre Joaquim dos Santos. Esta música, disse Joaquim dos Santos, «não é para receber palmas mas para rezar» quer quem a executa, quer quem a ouve. Nascida de uma linda poesia, aquele «canto popular religioso», como o classificou o seu autor, pretende ser expressão da «simplicidade, da candura da fé, simples mas com verdade, sem artifícios que saibam a falso». No acolhimento aos romeiros e peregrinos, o padre José da Silva Lima sublinhou que foi a mensagem dos antepassados e a voz da história e memória de mais de 400 anos que ali os trouxe assinalando que este fazer memória é que abre ao futuro. Recordando a situação que desencadeou o milagre que está na origem da construção do santuário (“Leva o menino à Senhora da Ermida”), Silva Lima disse que a própria romaria cura trazendo um novo «equilíbrio natural», obrigando-nos à «fuga da rotina» trazendo-nos «o equilíbrio da novidade», da mensagem nova e no encontro da comunidade. Entrados no templo, iniciou-se a celebração Eucarística, o alimento necessário para que seja real «o fruto novo do amor» continuou Silva Lima ao falar dos “Caminhos do amor Materno”. Percorrendo diversos momentos da história daquele templo e do milagre que lhe deu origem, José da Silva Lima desafiou os fiéis participantes a deixarem-se tocar pelo Espírito a fim de na partida «sermos capazes de falar de uma forma nova de Deus aos homens de hoje», recordando a primeira expressão da criança que foi curada e que exclamou: “Ó mãe, eu já posso falar”. Durante a sua intervenção aquele sacerdote que dirige o Centro Regional de Braga da Universidade Católica disse que quando pensamos em Nossa senhora dos Milagres estamos a espera de ver «coisas grandes» contudo, advertiu, os verdadeiros milagres estão no quotidiano da vida, no casal quando marido e esposa se perdoam mutuamente ou quando face a uma gravidez inesperada se toma a decisão de a levar até ao final. Assinalou ainda que «a fórmula mais bonita e adequada» para “definir” é afirmar que «é amor». Por isso, «o que fazemos de belo, bom, bonito e verdadeiro é um sinal autêntico do amor de Deus». No final da celebração foi apresentado o livro “Santuário da Senhora dos Milagres” da autoria de Ernesto Português onde, em menos de cem páginas, se conta a história, contexto e significado daquele santuário. O livro já integra o novo hino à Senhora dos Milagres, partitura e poema.

Texto, Paulo Gomes
Publicado a 26-05-2003

In Diário do Minho

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Fantasia Conventual de novo em concerto…

Amanhã, às 18h, no Mosteiro de Tibães será “reposta” a Fantasia Conventual

Uma obra que nunca ouvi, nem terei o privilégio de a ouvir ao vivo neste sábado… mas se tudo correr bem, uma gravação “caseira” está a ser providenciada…

Entretanto tive vontade de olhar para a partitura com um olhar diferente e deste olhar resultou uma leitura transversal que aponta mais características do plano formal e da orquestração do que do plano harmónico e temático. Este último necessita de muita mais dedicação da minha parte!

A Fantasia Conventual é uma obra constituída por duas secções predominantes – 1. Prelúdio e 2. Meditação - sendo a última dominada pelos temas gregorianos "Parce Domine" e "Rorate Caeli", que aqui são explorados e contrapostas com um novo elemento temático que, por sua vez, é apresentado sob a forma de um expressivo e marcante Coral.

A primeira secção do Prelúdio - Poco andante e grazioso - é dominada pelos timbres das madeiras que pontualmente se vêem projectados pelos sforzzato nos metais. O papel da percussão é praticamente transversal a toda esta primeira secção. A sua maior evidência é alcançada em Meno Mosso ed espressivo que figura no centro deste Prelúdio e é aqui que, pela primeira vez, se ouve um tutti orquestral do qual ressalta uma pequena secção dedicada em exclusivo a estes instrumentos até agora utilizados como pontos de apoio a ideias que vão fervilhando na partitura. Passado este momento, os fagotes assumem uma importância quase "solística" e jogam em imitação uma melodia que é sublinhada por um espressivo cantabile. Este jogo é interrompido bruscamente pelas trompas e trompetes mas daqui surge um elemento novo… O que anteriormente se verificava apenas nos fagotes é agora partilhado pelas flautas que por sua vez apresentam novo material temático e expõem-no como já acontecera aos fagotes no espressivo cantabile. Caminhando para o final da primeira parte, verifica-se um crescendo orquestral, e não apenas dinâmico, feito pelos metais culminando todos num apressado forte conclusivo! Todo este Prelúdio está marcado por dinâmicas forte. A segunda parte da obra é a Meditação e esta contrasta com a primeira logo nas dinâmicas. Se no Prelúdio o âmbito das dinâmicas aborda sonoridades mais fortes, a Meditação entra a contrariar com o pianíssimo dos tímpanos na primeira dezena de compassos. Por contraste, a orquestração da Meditação é mais densa mas esta densidade é contrabalançada pelas dinâmicas suaves. Há um todo que caminha gradualmente, ora nas madeiras, ora apresentado temas nos trombones, até que se chega realmente à primeira apresentação do Coral. Este apenas é tocado pelos metais. Logo de seguida “Parce Domine” entoado pelas madeiras e um coro (ad libitum) fazem o Mosteiro Beneditino abater 200 anos e é aqui que se dá um encontro com as reais funções do Mosteiro e as reais funções da música gregoriana/música sacra. De novo rompe o majestoso Coral, apenas entoado pelos poderosos instrumentos de metal. “Rorate Caeli” surge logo depois, em comunhão com o primeiro e transportando-nos para um Coral revestido de novas texturas orquestrais que por fim encerram a partitura com o único forte escrito desta secção meditativa.

Naturalmente, só ouvindo é que se pode entender mesmo o que a música quer transmitir…por mais análises que se façam, apenas a audição é o objectivo.

Complexo instrumental: 2 flautas, 2 oboés, 2 clarinetes, 2 fagotes; 2 trompas; 2 trompetes; 2 trombones; tímpanos; prato suspenso! Coro vozes iguais ad libitum

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Cappella Bracarensis | para ouvir…

Como foi aqui publicado, na sexta-feira passada o grupo vocal Cappella Bracarensis realizou um concerto na Sala do Capítulo do Mosteiro de Tibães. Entre outras peças, cantou algumas do catálogo Joaquim dos Santos…

Aqui fica a referência…

Canção de Embalar – Zeca Afonso/Joaquim dos Santos

Colecção “Seis canções de Zeca Afonso” para coro a 4 vozes mistas.

Neste blog está disponível outra interpretação desta canção; Grupo Vocal Ançã-ble. ouvir aqui

 

 

Menino do Bairro Negro – Zeca Afonso/Joaquim dos Santos

 

Colecção “Seis canções de Zeca Afonso”Esta é a primeira gravação disponibilizada no youtube!

(outra interpretação aqui)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Concerto | Mosteiro de Tibães (2)

Âmbito do Ciclo de Concertos Joaquim dos Santos In Memoriam (ver)
Dia 21 de Novembro de 2009 às 18.00h
Igreja do Mosteiro de S. Martinho de Tibães

Entrada Livre

Coro e Orquestra Académica do Instituto de Letras e Ciências Humanas da Universidade do Minho
Programa.
Joaquim dos Santos Fantasia Conventual para orquestra de sopros e voz (ad libitum)
J. Haydn
Concerto para trompete
e orquestra
Te Deum para coro e orquestra

Vítor Matos direcção
Vasco de Faria trompete


APOIOS Junta de Freguesia de Mire de Tibães
Mosteiro de Tibães
Ministério da Cultura Mosteiro de Tibães Fundação Bonfim

Organização Universidade do Minho
Instituto de Letras e Ciências Humanas
Departamento de Música
Universidade do Minho

Projecto Financiado
Direcção Geral das Artes | Ministério da Cultura

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Concerto no Mosteiro de Tibães (1)

Sala do Capítulo - Programa musical
Dia 13, sexta-feira, às 21h30.
Concerto pela Cappella Bracarensis 

Local: Sala do Capítulo do Mosteiro de São Martinho de Tibães 

Acesso: Entrada Livre 
 
Actuarão ainda de forma intercalada dois grupos de cordas (guitarra e violino) por Alunos do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga.

Programa:
  • La, la, la je ne l’ose dire – Pierre Certon (séc. XVI)
  • Margot labourez les vignes – Jacques Arcadelt (1507?-1568)
  • Mille regretes – Josquin Desprez (1445-1521)
  • Ay flores – D. Dinis (1261-1325)/Miguel Carneiro  
  • El grillo – Josquin Desprez
  • Il est bel et bon – Pierre Passereau (séc. XVI)
  • Os olhos da Marianita – harm. Jacques Chailley (1910-1999)
  • Tajapanema – melodia brasileira/Manuel Faria (1916-1983)
  • Menino do Bairro NegroZ.Afonso/Joaquim dos Santos
  • Canção de EmbalarZ.Afonso/Joaquim dos Santos
  • Mar (Miguel Torga) – Joaquim dos Santos (da mesma colecção: para ouvir no blog TORMENTA & LARGADA)
  • Suite para instrumento solo (Mário Garcia) - Joaquim dos Santos
Cappella Bracarensis
Fundada em 1997, como octeto vocal, a Cappella Bracarensis surgiu da vontade de fazer música coral pelo prazer de cantar e pela tarefa de divulgar música de todas as épocas, com especial incidência na música portuguesa. Construiu um vasto repertório, que apresentou em numerosos concertos, no país e no estrangeiro.
Entretanto, interrompeu as suas actividades entre 2000 e 2002. Ressurgiu em Outubro de 2002, de forma mais alargada como coro de câmara, reunindo a maioria dos seus membros fundadores e outros elementos que, entretanto, foram aderindo ao mesmo projecto. Já se apresentou em vários concertos, mantendo contudo os objectivos que animaram a sua fundação. Realizou já diversos concertos de música sacra e profana em Braga e noutras localidades do norte do país.
O reportório que vai apresentando revela especial incidência na música portuguesa, com preferência por música inédita de compositores do distrito de Braga, em que sobressaem Manuel Faria e Joaquim dos Santos.
No seu actual estado, a Cappella Bracarensis encontra-se estreitamente ligada ao Centro Regional de Braga Universidade Católica Portuguesa, que disponibiliza local de ensaio e fornece apoio logístico ao grupo. João Duque é seu director artístico desde o início, tendo-se-lhe associado, desde 2008, Graça Miranda.
Cappella Bracarensis
Fontes: Blog: Mosteiro de Tibães | Blog: Cappella Bracarensis

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Encomendação das Almas: “Acorda, acorda Pecador”

Como não podia deixar de ser, o mês de Novembro é marcado pela forte celebração dos fiéis defuntos. Celebração que, de uma forma ou de outra, marca toda a gente, crente ou não crente; porque se uns acreditam que a morte é apenas o fim da vida e que depois desta nada acontecerá, outros olham para a morte como uma verdadeira passagem, ainda que dolorosa para quem fica a ver os que passam… mas todos sofrem quando se tem de viver a morte de uma pessoa querida e amada.

Acorda, acorda pecador é uma canção recolhida em Trás-os-Montes pelo Pe. Joaquim Albertino da Costa e posteriormente transcrita e harmonizada pelo Pe. Dr. Joaquim dos Santos.


Acorda, Acorda pecador
Emenda-te do pecado
Que podes adormecer
No inferno sepultado.
Seja pelo amor de Deus.

Ó almas que estais dormindo
Porque é que não rezais?
Lembrai-vos que já lá tendes
Vossas mães e vossos pais.
Seja pelo amor de Deus.

As almas do purgatório
Umas choram, outras cantam.
Rezai-lhe uma Avé Maria
Pelo eterno descanso.
Seja pelo amor de Deus.

Arranjo para 3 vozes mistas que encerra em si a força de muitas outras vozes que, numa visão mais metafísica, já não cantam nesta vida. Só ouvindo e cantando é que se entende como o Maestro Joaquim dos Santos foi um grande mestre no tratamento da voz. Composição de extrema simplicidade que, no seu conjunto, é  de uma grandiosidade arrebatadora.

Interpretação do Coral de Chaves e Coro Capela das Almas de Cerva sob direcção de Nuno Costa. A introduzir tão belo canto popular ao som da trompa esteve Cláudio Moreira. Gravado ao vivo no dia 11 de Julho de 2009 – Mosteiro de São Miguel de Refojos, Cabeceiras de Basto. Concerto de Homenagem a Joaquim dos Santos.

Artigos relacionados:

Canção Popular de Encomendação das Almas: “Pecador Adormecido” – Novembro de 2008 (partitura)

Concerto de Homenagem a Joaquim dos Santos - 11 de Julho de 2009 (artigo)

Concerto de Homenagem a Joaquim dos Santos – 11 de Julho de 2009 – Mosteiro de São Miguel, Cabeceiras de Basto (para ouvir música)

Tem sido norma, neste blog, publicar canções de encomendações das almas associando estas sempre ao período de Novembro que coincide com o dia de Todos os Santos e de Fiéis Defuntos. Estas canções poderão facilmente ser associadas a estes dias mas o seu fundamento encontra-se no período da Quaresma. Estas canções eram entoadas ao final da tarde, provavelmente durante as trindades, dos dias que compõe a Quaresma e não propriamente do dia de fiéis defuntos…mas como já disse, a temática de tais canções justifica na perfeição estas publicações.