domingo, 31 de outubro de 2010

[2002.OUT.02] Barítono português canta Manuel Faria e Joaquim dos Santos | Diário do Minho

pontos de vista…

Na Roma Eterna, não na portuguesa…

Na igreja de Santo António dos Portugueses em Roma, teve anteontem lugar um concerto em que foram executadas músicas de dois compositores bracarenses: o Cónego Doutor Manuel Faria, falecido em 1983, e o Doutor Joaquim dos Santos, [felizmente vivo e presente aqui em Roma].

Em estreia mundial, o barítono José Carlos de Miranda, ligado a Braga por razões de estudo e de percurso de vida, interpretou a “Sinfonia do Silêncio” de J. Santos, obra para barítono, violino e órgão.

Giampaolo di Rosa, organista honorário da Igreja-mãe de Aprilia e professor de órgão e de improvisação na Escola de Artes do Porto da Universidade Católica Portuguesa, e Riccardo Bonaccini, violinista, ambos jovens, mas com uma carreira internacionalmente já consagrada, foram os acompanhantes da bela e forte voz de J. Carlos de Miranda.

Manuel FariaO concerto integrou as seguintes obras de Manuel Faria: “Ó sino da minha aldeia” e “Canção da vida” (textos de Fernando Pessoa"), “Jerusalém do Alto”, “Eu sei que o meu Redentor vive” e “Atei os meus braços”, que são verdadeiras árias, interpretadas mais que uma vez pelo J. Carlos de Miranda, em vários locais da Europa e, desta vez, acompanhado a piano ou órgão pelo Giampaolo.

O mesmo barítono interpretou duas árias de J. Rodrigues Esteves do “Stabat Mater”, uma ária do “Te Deum” de M. Portugal, a “Senhora do Almurtão” de C. Carneyro, “Fim há-de ter desgosto” de Lopes-Graça e a “Virgem Dolorosa” de Joly Braga Santos.

O Giampaolo executou em piano a II Suite inglesa em lá menor de Bach e o violinista Bonaccini executou a “Gavotta” de Bach.

Foi um concerto memorável por se tratar da estreia da “Sinfonia do Silêncio” com a presença do padre Joaquim Santos, acompanhado da sua irmã D. Maria.

A letra desta obra é uma poesia de Fernando Martins, sacerdote de Vila Real, nascido a 8.9.1930 e falecido a 30.1.1999 e que recebeu a influência de um sobrinho neto de Camilo Castelo Branco, o padre Luís Castelo Branco, que era pregador por aquelas regiões.

Eis a poesia:

Vai longa a noite, não vislumbro nada,
E a dura via-sacra continua.
Há só uma verdade nua e crua:
Não há Páscoa, nem rompe a madrugada.


Há, porém, cá no fundo, uma alvorada,
Invisível, em pleno Sol, na rua,
Mas palpável, pois fortemente actua,
Mesmo dentro de uma alma amargurada.


Tem sabor a Sexta-Feira Santa.
E, apesar desta dor ser tal e tanta,
Dá lugar para entrar na sinfonia
Do silêncio que tanta gente canta,
Com a voz atravancada na garganta,
Mas na esperança do Eterno Aleluia.

Este concerto com músicas de Joaquim Santos e Manuel Faria não é o primeiro. Desde Junho de 2000 já aqui se fizeram mais de seis concertos com músicas destes ilustres sacerdotes da Arquidiocese de Braga, por iniciativa do actual reitor da Igreja de Santo António, monsenhor Agostinho Borges, que foi aconselhado pelo Isaías Hipólito, ex-seminarista de Braga e ex-aluno do Doutor Joaquim Santos.

No próximo dia 22, nesta mesma igreja, escutar-se-á uma obra para piano de Joaquim Santos - “Prologus. Impressões sobre o Evangelho de São João”, executada pela pianista Ana Telles, doutoranda na Sorbonne na classe da viúva de Olivier MessiaPe. Dr. Joaquim dos Santosen, que interpretará seis peças para piano de Messiaen.

O concerto de ontem foi quase uma repetição do que acontecera no dia 18 deste mês em Aprilia, a poucos quilómetros de Palestrina. E veio-me à ideia o Doutor Manuel Faria que considerava Palestrina o músico que traduziu Trento em música, pai da polifonia vocal juntamente com J.S.Bach, luterano, pai da polifonia instrumental. Vejam bem: Manuel Faria, acusado por alguns de sectário e retrógrado, tinha uma hermenêutica musical ecuménica, católica-universal… A arte, e a música em particular, une o que os homens dividem e põem em oposição. E não foi Manuel Faria que orientou já nos anos recuados de 1978-1979 o Jorge Barbosa num trabalho sobre a Teologia da Música de Messiaen?…

Acrescento apenas que no dia 17 deste mês, ainda na igreja de Santo António, dois irmãos, Mauro e Álvaro Lopes Ferreira, tocaram violino e piano. São filhos de pais portugueses, mas vivem em Roma, e o Mauro até aqui nasceu. Na Roma Eterna há portugueses que se afirmam.

Infelizmente, tive que deslocar-me aqui para ouvir o que desejaria ouvir na Roma Portuguesa. Mas graças a Deus, no deserto das polémicas, no inverno das indiferenças, no inferno das hostilidades, experimenta-se o paraíso, ou uma antecipação, uma prolepse do que será o banquete escatológico.

Mas se o «banquete está pronto», pronto a ser servido, onde estão os primeiros convidados? «Era a vós que se destinava em primeiro lugar» o banquete, mas como o fastio vos tira a fome, a outros é dada a graça de se sentar à mesa. E «a sala encheu-se» e eu estava lá…

Aos alunos que me esperam, digo que estou a ler o “Mactub” de Paulo Coelho (uns contos sapienciais e didácticos a modo dos contos hassídicos) e “Verso Gerusalem” de Carlo Maria Martini, que tem – na palavra de um jornalista - «o perfil de um antigo profeta» e, para mim, a sabedoria de um santo e a santidade de um sábio…

PS – A imprensa local e nacional têm feito eco muito positivo a estes acontecimentos. Se fosse um jogo de futebol entre equipas portuguesas e italianas, haveria enviados especiais. Assim, «roba da matti»!… Arrivederci, da Roma.

A. Luís Esteves

Terça-Feira, 22 de Outubro de 2002

Diário do Minho

Capa de CD do concerto em questão!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Glosas 2 | A não perder!

Glosas 2
MPMP, movimento patrimonial pela música portuguesa com a presença de Edward Luiz Ayres d’Abreu e Manuela Paraíso
lançamento da revista glosas#2 (Biblioteca Nacional)
e breve recital em que se interpretarão obras de
Alfredo Keil, Croner de Vasconcellos e Ruy Coelho
interpretadas por
Raquel Camarinha, Duarte Pereira Martins, Philippe Marques
PROGRAMA
ALFREDO KEIL | 'Espoir', 'Angelus' e 'Souvenance'
VASCONCELLOS | 'Canção' e 'Siciliano'
Philippe Marques, piano
RUY COELHO | 'Chanson' e 'Dans la Jetée d’Alexandrie'
VASCONCELLOS | '3 Redondilhas de Camões'
ALFREDO KEIL | 'Adieu'
Raquel Camarinha, soprano; Duarte Martins, piano
CONTEÚDOS
~CORREIO DO LEITOR
~DISSONÂNCIAS: a opinião de perusio
~CASA MELOTECA: um sonho, um projecto, por António José Ferreira
~DEBAIXO DE OLHO
o que está a acontecer na música portuguesa, por Manuela Paraíso
~AGENDA DE CONCERTOS
ALFREDO KEIL
~acerca de uma pequena evocação no conservatório nacional
por Maria José Borges
~serrana
por Alexandre Delgado
~dona branca
por Luís Raimundo
~os hinos nacionais portugueses e a portuguesa
por Maria José Borges
~alfredo keil, pintor
por Maria de Aires Silveira
~alfredo keil, coleccionador
por Alexandre Andrade
~duas noites de lopes com arrepio keiliano
por Mário Alves e Maria Gil
~entrevista ‘na outra margem’
joão paulo santos | dona branca
por Manuela Paraíso
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~louis saguer: em defesa da música portuguesa por José Eduardo Martins
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entrevista | LA SPINALBA
na guildhall school of music & drama
por Alberto Sousa
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~marcos portugal: il matrimonio di figaro
por David Cranmer e Joana Seara
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entrevista | PAINT ME, ópera de luís tinoco
por Mónica Brito
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COMPOSITORES A DESCOBRIR
~nicolau ribas & família
por António C. K. de Bessa Ribas e João-Heitor Rigaud
O mpmp, movimento patrimonial pela música portuguesa, agradece a quem tenha contribuído para a concretização deste número da revista glosas: aos autores dos diversos textos, artigos, fotografias e ilustrações (Otto Solano, Perusio, António José Ferreira, Manuela Paraíso, Maria José Borges, João Gonçalo de Aguiar da Silva, Susana Guerreiro de Carvalho, Alexandre Delgado, Luís Raimundo, Maria de Aires Silveira, Alexandre Andrade, Mário Alves, Maria Gil, José Eduardo Martins, Alberto Sousa, David Cranmer, Joana Seara, Anthony Hall, Mónica Brito, José Pedro Cardeiro, António C. K. de Bessa Ribas e João-Heitor Rigaud), aos diversos entrevistados (João Paulo Santos, Clive Timms, Robert Howarth, Stephen Medcalf, Luís Tinoco), a Alice Costa, pela revisão dos textos e, pela disponibilização de fotografias de Alfredo Keil, a F. P. Keil Amaral e à Área de Música da Biblioteca Nacional.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Nova publicação | Partituras | Stabat Mater

Esta nova publicação é referente a uma obra, Stabat Mater, que sofreu várias alterações ao longo de 14, 15 anos. A primeira versão foi composta para os recursos que Joaquim dos Santos dispunha na época de 1979, ou seja, coro e banda. Logo de imediato o autor realizou uma redução para canto e órgão e é essa que hoje se publica. Mais tarde, em 1994/1995 (?) a obra foi revista, aumenta e passada para orquestra. Ainda antes desta versão uma foi realizada, também, para banda mas com um complexo instrumental diferente do primeiro.

Esta obra, ao contrário da última publicada, foi apresentada várias vezes em diferentes locais deste país.

Espera-se que este novo material, agora oferecido a todos, possa ser uma ferramenta de trabalho interessante e importante… basta fazer download na página “Partituras”…

 

Stabat Mater

soprano solo, coro (SAATTB) e órgão

redução: 1980

por Joaquim dos Santos

 

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Exposição | Música de Câmara de Joaquim dos Santos | Fim…

Com esta publicação, dá-se por encerrada esta espécie de Exposição digital, pretendente a ser uma amostra da realidade vivida entre Maio e Julho de 2009 no edifício dos Congregados da Universidade do Minho.

Um agradecimento a todos os alunos que colaboraram neste trabalho e um agradecimento à UMinho, na pessoa da Dra. Elisa Lessa, por permitir a utilização deste material.

UMinho 

image Joaquim dos Santos desenvolveu uma importante e vasta obra na área da música de câmara para os mais diversos conjuntos instrumentais.

A escolha eclética do conjunto instrumental presente na sua obra deve-se em parte à rápida resposta de Joaquim dos Santos aos pedidos que iam surgindo, dando origem a grupos de câmara pouco habituais. Rondó, para Violino, Flauta, Cordas Palhetadas e Percussão, é um bom exemplo disso. Composição sugerida por Carlos Carneiro, resultou, nas palavras do compositor, num complexo pouco usado na actualidade, na qual impera a singeleza rítmica, o colorido tímbrico e o fraseado expressivo.

De carácter imaginativo, caprichoso e sonhador e com um estilo harmónico ousado e contrastante dentro de uma forma musical livre (Preludio, Ricercare, Fuga e Finale), Pequena Fantasia, para Marimba e Órgão apresenta-se como uma obra ousada, na qual o compositor somente sugere a dinâmica e a agógica, deixando o restante ao critério dos intérpretes.

Algumas destas obras servem ainda de homenagem a outros compositores, uma vez que, apesar da sua escrita contemporânea, muito apreciava os compositores de outras épocas. Na sua obra Capriccio a Tre, para Flauta, Violino e Piano, dedicada a José Manuel Duque, escreve: Pretendo ainda, na singeleza destas páginas, homenagear CARLOS SEIXAS – excelente organista, cravista e compositor português – sobre quem DOMENICO SCARLATTI, instado a pronunciar-se acerca dos seus méritos cravísticos, terá dado um parecer extremamente lisonjeiro [Nota do autor na partitura de Capriccio a Tre]. Omaggio a Godoffredo Petrassi, é mais um exemplo de homenagem a compositores que o marcaram na sua produção musical.

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.

domingo, 10 de outubro de 2010

CCB | Sala Almada Negreiros | Hoje!

 

DGIDC 

Concerto nº 2 | Sala Almada Negreiros | 11.30

Companhia da Música

Joaquim dos Santos & Cândido Lima

 

Programa de todos os eventos (p. 16)

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um rouxinol & Minha Mãe | Joaquim dos Santos | Coro Juvenil da Companhia da Música

4.ª EDIÇÃO DA FESTA DAS ESCOLAS DE MÚSICA 
1001 MÚSICOS 2010  

Pelo quarto ano consecutivo, e repetindo o sucesso das edições anteriores, o CCB associa-se ao Ministério da Educação para a concretização da grande jornada musical denominada 1001 MÚSICOS.

10 Out 2010 - 10:30

GRANDE AUDITÓRIO / SALA ALMADA NEGREIROS / SALA SOPHIA DE MELLO BREYNER

ENTRADA LIVRE

Trata-se de um encontro entre escolas e orquestras, alunos e professores, crianças e adultos, artistas e organizadores (e público), que tem por objectivo promover a troca de experiências, a mostra de talento e a partilha do gosto pela música.

UMA INICIATIVA DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO COM A COLABORAÇÃO DO CCB

 

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