quarta-feira, 30 de março de 2011

Adriana Ferreira & Isolda Crespi Rubio | Concerto | 03.04.2011

 

 

Domingo, 3 de Abril às 22:00

Clube literário do Porto.

Rua da Alfândega

Ribeira. Porto

 



Adriana Ferreira flauta
Isolda Crespi Rubio piano


Melanie Bonis – Sonate
Joaquim dos Santos – Minuetto
Joachim Andersen – Ballade et Danse des Sylphes, Op. 5
Henri Dutilleux – Sonatine
Alexandre Delgado – The Panic Flirt, para Flauta solo
Sergei Prokofiev – Sonata em Ré Maior

Colaborações:
Artisdivine Atelier
Clube Literário do Porto.

“Avanti Maestro…”

 

quinta-feira, 24 de março de 2011

Paixão segundo São Mateus | Música para a Liturgia | Joaquim dos Santos

Das várias interpretações que se quiseram fazer dos documentos saídos do Concílio Vaticano II muitas houve que não estiveram de acordo com a profundidade do que foi trabalhado, pensado e escrito.
A música não terá sido o núcleo que fez um Concílio Vaticano II caminhar mas com certeza que sempre foi olhada com a elevada importância que tem. O que está feito, está feito mas é um facto que se assistiu/assiste a uma espécie de hiato no que respeita ao culto da Paixão, principalmente ao nível musical. Sim, há inúmeras formas musicais e inúmeros textos de beleza intocável que abordam o intenso e profundo tema mas uma música que nasça inteiramente do suor de sangue da Paixão… não. Tanto ao nível da música com funcionalidades litúrgicas como ao nível da música de concerto, ao que se consegue apurar, Portugal viu-se sem a intensidade da Paixão durante largos anos. Viu-se e vê, de certa forma. Nos dois planos as obras que existem não são apresentadas ou utilizadas com frequência ou com dimensão.
Numa nota à sua grande Paixão segundo São Lucas, para 5 solistas, coro misto e orquestra, Joaquim dos Santos faz a alusão de esta obra ser o culminar dum antigo e lindo sonho (…) desde as cerimónias que então se faziam na Sé de Braga… e já lá vão mais de quarenta anos! (1999). Com este pequeno parágrafo sabe-se que, em tempos não muito distantes, houve a tradição de apresentar os textos da Paixão na sua forma cantada. Muito provavelmente cantavam-se autores dos séculos XVII/XVIII, e muito provavelmente cantariam na forma mais comum de três diáconos e coro (turbas).
O que é certo é que desde a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II e a consequente introdução do vernáculo na Liturgia da Palavra abriu-se um fosso na veneranda tradição do canto da narração da Paixão (…) (Pe. Pedro Miranda, 2002)
Tanto quanto se possa saber, a primeira experiência de dotar o canto da Paixão em português para se poder utilizar na Liturgia surgiu em 1977, surgiu pela mão do Pe. Joaquim dos Santos. Trata-se duma pequena composição que foi utilizada inúmeras vezes pelo Maestro nas várias celebrações que fazia. Pensada para os coros com pouca formação, há uma versão para duas vozes iguais e órgão e outra para quatro vozes mistas e órgão. A sua funcionalidade é total; o texto é o de São Mateus e este é utilizado no Domingo de Ramos do Ano A. São precisos os 3 diáconos para a leitura dos textos e no momento das turbas temos o coro a cantar as suas proclamações e condenações.
A partitura desta pérola da música sacra portuguesa encontra-se publicada no blog O canto na liturgia, ou seja, ao alcance de todos.
De forma sucinta, em 1991 a liturgia da Paixão viu-se novamente enriquecida com uma nova composição para este efeito – o seu autor foi o Pe. Pedro de Miranda. Com os mesmo efeitos litúrgicos, surge em 2007 a Paixão segundo São João do Pe. Ferreira dos Santos e para terminar este ciclo litúrgico eis que em 2008 o Pe. Joaquim dos Santos escreve uma das suas últimas obras – Paixão segundo São João para 3 solistas, coro misto a 3 vozes, violoncelo e órgão.

Paixão S.Mateus 4 v - Joaquim dos Santos

quarta-feira, 23 de março de 2011

Lamentationes Jeremiae Prophetae | Semana Santa

 

A publicação de hoje é mais um raro mas importante documento da vida artística do nosso Maestro Joaquim dos Santos. Estamos a falar do vídeo do primeiro concerto com obras do Maestro apresentado em Roma; dia 10 de Junho de 2000.

O texto que se segue remete-nos para uma breve explicação do texto do Profeta Jeremias e é retirado da Bíblia Sagrada on-line dos Capuchinhos.  

Trata-se de um pequeno conjunto de cinco poemas, em estilo elegíaco, provavelmente escritos após a queda e destruição de Jeru­salém por Nabucodonosor (587-586 a.C.). A tradição tem-no atribuído ao pro­feta Jeremias. No entanto, essa autoria tem pouca consistência, uma vez que tal atribuição se fundamenta em 2 Cr 35,25 e esse texto diz respeito à morte do último grande rei de Judá, Josias, nada tendo propria­mente a ver com o conteúdo deste escrito. Além disso, em 2,9 diz-se que «aos profetas são recusadas as visões», o que seria estranho na boca de Jeremias. A Bíblia Hebraica coloca ainda este livro entre os Escritos, depois do Cântico dos Cânticos, e não entre os Profetas. Deve tratar-se, pois, de um discípulo de Jeremias que guarda algumas afinidades de estilo com o seu mestre.

O título desta obra é a tradução do hebraico “qinôt”, que já se encontra no “Talmud” (Hag 5b fala do Livro das Lamentações: “Sefer Qinôt”) e em outros escritos rabínicos (por exemplo, o grande “Midrash Rabbá”, em “Lamen­tações Rabbá” IV,20); e também do grego “thrénoi”, que expressa o mesmo sentido.

Para além de outras particularidades, os quatro primeiros poemas são alfabéticos, iniciando-se cada estrofe com a respectiva letra da sequência do alfabeto hebraico. É um processo literário complexo; além da arte e mestria do autor, pretende também realçar o simbolismo do texto e, provavelmente, o ritmo do seu próprio canto.

MENSAGEM

O au­tor lamenta-se da si­tua­ção miserável em que o povo de Israel e as suas instituições se encontram; e fala da humilhação extre­ma a que chegaram Israel e Jerusalém. Tudo is­to, como con­se­quên­cia do mau proceder do povo e da sua infi­de­lidade à Aliança.

A situação é inter­pre­tada à luz da fé co­mo um castigo e como um tempo de purifi­ca­ção, dado ha­ver uma es­­perança úl­tima de que Deus vol­tará o seu olhar cle­mente para o povo (fim da 5.ª La­men­tação).

Por tudo isso, tanto judeus como cristãos fa­zem uso destes poe­mas na liturgia, em mo­mentos signi­ficati­vos da sua História: os judeus, nas festas de jejum, em que recor­dam a destruição de Jerusalém, no ano 70, pelos romanos; os cristãos, na liturgia da Semana Santa, ao recordarem os sofri­mentos da Paixão de Cristo.

Capítulos

Lm 1 Lm 2 Lm 3 Lm 4 Lm 5

Bíblia Sagrada

segunda-feira, 14 de março de 2011

Quaresma | Cântico | Onde há caridade verdadeira

A música que o Pe. Joaquim dos Santos dedicou à Quaresma teve, quase sempre, uma inspiração especial, uma inspiração profunda e, na ideia de quem escreve estas linhas, intocável. Onde há caridade verdadeira, à semelhança de outros cânticos, é disso exemplo. Uma pérola oferecida a todos com a publicação da Nova Revista de Música Sacra 25.

Não se pode ficar indiferente as doçuras e agruras que habitam esta partitura… um exemplo máximo da boa música sacra que Portugal possui. Tesouros ignorados…

Ançã-ble Vocal, interpretação - 2008

Partitura

Onde há caridade verdadeira,
Aí habita Deus.
Aqui nos reuniu o amor de Cristo:
Alegremo-nos e exultemos em seu nome.
Com temor e amor cantemos ao Deus vivo
E amemo-nos de todo o coração.
Quando em nome de Deus nos reunirmos,
não nos separemos pela discórdia,
Acabem discussões e contendas,
reine no meio de nós Jesus Cristo.
E um dia com os Anjos e os Santos,
veremos, Senhor, o vosso rosto,
Alegria eterna e gloriosa,
pelos séculos dos séculos. Amen.