quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Exposição | Obras de Inspiração Popular de Joaquim dos Santos

image Tal como outros compositores que marcaram o panorama musical português do seu tempo, Joaquim dos Santos também procurou as raízes da música popular portuguesa, recriando-a através das suas harmonizações.

A partir de 1968, ano em que regressou a Portugal vindo de Itália, levou a cabo uma recolha de etnografia musical centrada nas zonas de Basto, Ribeira de Pena e Montalegre, contactando pessoalmente com os habitantes. Deste contacto promovido ao longo de vários anos resultou uma recolha bastante rica de canções que narram o quotidiano das populações e que se vão perdendo na memória. A este trabalho sempre se dedicou com empenho, tendo afirmado: Considero ser urgente conhecer e divulgar um repertório que corre risco de se perder no tempo [in Simões, Carla, Joaquim dos Santos, um Compositor no Panorama Musical Português Contemporâneo, Instituto de Estudos da Criança, Universidade do Minho, Abril de 2009].

Deste importante trabalho de recolha etnográfica musical nasceram as harmonizações para três ou quatro vozes, para execução a cappella ou com acompanhamento de instrumentos de sopro e percussão, de várias canções populares, algumas delas incluídas na sua obra Rapsódia Campestre. Aquando a composição desta obra, e a par da harmonização, o compositor procedeu a uma orquestração para um complexo instrumental constituído por metais, palhetas e precursão, mas o qual é prescindível. As canções são fruto da recolha etnográfica na zona de Basto tal e qual os antigos as executavam, tanto na melodia como no texto.

Além destas harmonizações de canções populares para vozes, Joaquim dos Santos transpôs várias melodias populares para conjuntos instrumentais, como acontece em Cantiga de S. João, quadro rústico para 12 metais e tímpanos. Canção originária de Vilarinho das Furnas situa-se no campo da polifonia popular, com entrada sucessiva das vozes e com sequências de quintas paralelas, completamente respeitadas pelo compositor. À volta do tema surgem outras ideias musicais emoldurando, com pinceladas de ingenuidade, candura e muita alegria … um quadro rústico bem próprio das gentes da linda e encantadora província do Minho [Nota de Joaquim dos Santos na partitura].  

Ana Rita Campos e Sónia Marques, alunas do 2º ano da Licenciatura em Música.

 

4 canções populares portuguesas [hiperligação] (capa CD frente & verso]

Rapsódia campestre [hiperligação]