quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Concerto dell'Immacolata | Le forme dello Spirito | Concerto 06.12.2006

Capa - CD200704 IPSARLe forme dello Spirito é o legado de diálogo inter-religioso mais evidente, e de fácil reconhecimento, do Maestro Joaquim dos Santos.
Apenas como curiosidade, meses depois desta obra surgir (em 2005), uma notícia nos grandes meios de comunicação social anunciava que um compositor estrangeiro tinha composto uma obra que incluía textos das várias religiões inclusive, e era esta que na altura estava a fazer o "furor" da notícia, a Islâmica...pois por esta altura surgiu mais um desentendimento entre Ocidente e Médio Oriente...
Este à parte não tem nada de importante a não ser o quão desconhecemos o que se faz em Portugal.

Le forme dello Spirito é para Tenor solo, Coro a vozes iguais e Orquestra. Foi estreada em Roma pelo tenor italiano Massimiliano Drapello, com o Coro Feminino de Santo António e o maestro Massimo Scapin a dirigir a Orchestra Sinfonica Tiberina.

É uma obra com cerca de 15 minutos dividida em três partes, em três Textos que indicam cada uma das Religiões em questão.

Acerca desta obra, o Maestro Joaquim dos Santos falou numa entrevista para o Diário do Minho (publicada neste blog em Agosto de 2008). Subscrevem-se essas linhas...

Comecemos pelo fim… Recentemente, em Roma, foi apresentada em estreia absoluta mundial a obra Le forme dello Spirito, um projecto de diálogo inter-religioso entre as religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Que significa para si esta obra arrojada e inesperada?
Antes de mais, faço questão em dizer que esta obra nasceu sem eu ter pensado sozinho, no sentido de surgir de um desafio lançado por um tenor italiano meu amigo, insistindo para que eu escrevesse algo para ele cantar. Ficou combinado satisfazer-lhe o pedido. Isto em 12 de Junho de 2003… Nesse mesmo dia, ainda em Roma, comecei a obra, após ter visitado a exposição de Arte Sacra do Sul de Portugal a decorrer em Santo António dos Portugueses, onde me foi oferecido o Catálogo dessa mesma Exposição. Aqui encontrei o texto e o próprio título dessa mesma obra: Le forme dello Spirito… Será mesmo um trabalho arrojado e inesperado? Penso que não, nem quanto ao texto, nem quanto à linguagem musical. A obra articula-se em três partes: a primeira com texto de Isaías, a segunda a partir de um texto de S. Paulo e a terceira com um texto do Corão. Na verdade, o arrojo e o inesperado poderiam estar nesta terceira parte. Mas, após o Concílio Vaticano II, esse mesmo texto, que antes poderia ser polémico, insere-se agora, perfeitamente num projecto de diálogo inter-religioso entre religiões monoteístas. É certo que alguém terá encontrado, inicialmente, problemas na junção destes textos (que na verdade, não foi minha), mas finalmente e de bom grado aceitou trabalhar e dar o máximo brilho às Forme dello Spirito.

Esta obra tem alguma relação com o concerto promovido pela RAI em homenagem ao Papa do diálogo Paulo VI, que esteve presente, e aos Padre Conciliares, realizado em Roma a 12 de Junho de 1966?
Penso que sim, no sentido de poder ter sido hipoteticamente uma obra a inserir no programa desse concerto, a que chamaram ecuménico. Na verdade, lá estavam os ortodoxos com Igor Stravinsky, os protestantes com Sibelius, os judeus com Darius Milhand e os católicos com G.F. Malipiero. Nesse mesmo programa, não destoariam Le Forme dello Spirito, como elemento de um projecto de diálogo inter-religioso entre as religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Também fazem parte deste CD o Stabat Mater de Luigi Boccherini, Messa dei Pescatori di Vilerville de André Messager/Gabriel Fauré e La fuga in Egitto de Max Bruch.

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